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Novas chances

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“Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança”.
Lamentações 3.19-24

O livro de Lamentações descreve bem contexto de tristeza e lamento pelo ocorrido. Após a destruição de Jerusalém pelos caldeus babilônicos, o profeta Jeremias, segundo as tradições históricas, assentou-se a chorar e compôs o poema que hoje conhecemos pelo livro de Lamentações. A experiência de lamento por um passado recente definia o presente de muitos, ainda mais em circunstâncias de guerra e destruição. Porém, mesmo em meio a tanta desolação, o profeta deixou bem claro que nada daquilo poderia definir o futuro segundo as novas chances e esperanças vindas de Deus. Imagina se mesmo depois de tanta destruição Deus não desse segundas chances ao povo? E trazendo para atualidade, como seria nossa vida se não houvesse segundas chances?

A vida para muitos é consequência daquilo que fazemos ou falamos. Alguns ocorridos são de fato definitivos e irreversíveis. Muitas pessoas traduzem a conotação desses atos como definição do nosso ser. Todavia, isso não nos condena a esse estado para sempre.

A experiência de amor é algo cultivável. Amar o próximo gera pequenos esbarrões, desentendimentos, atritos que podem desestabilizar a relação e gerar conflitos, o que faz surgir as feridas emocionais. E se mesmo depois disso tudo não pudéssemos rever nossos atos? Certamente seria um mundo solitário ou resumido a relacionamentos superficiais.

Quando o profeta Jeremias afirma “graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã…”, ele destaca que o Deus de Israel é necessariamente o Deus das segundas chances. Assim como Jesus afirmou em Mateus 18.22 que devemos perdoas até setenta vezes sete, devemos assim buscar ao Senhor da mesma forma em cada equívoco cometido, a cada deslize provocado, a cada erro com o próximo. Os humanos que professam Sua fé devem buscar o processo de arrependimento e reconciliação constantemente.

Ao pecarmos ou deslizarmos com quem amamos, devemos falar abertamente. É como uma pequena viagem ao passado, quando chegamos e falamos “cancele aquilo que eu fiz”, ou “perdoe-me por aquilo que disse contra ti”. O processo de arrependimento é o princípio de mudança para o melhor sempre! Quando nos submetemos a isso, estaremos confiando ao Senhor nossas vidas como ato de constante renovo. Estaremos desfrutando da grandiosa Misericórdia que Ele tem para conosco, pois é essa a única razão para não sermos consumidos por nossas próprias concupiscências.

Não condene a si próprio! A razão pela qual optamos por renovo é a maneira que podemos encontrar paz para conosco, sem depreciação pessoal ou alheia. E assim como o profeta escreveu, opte pelas misericórdias do Senhor. Não há fonte maior de perdão. As novas chances se renovam a cada amanhecer, mas quem faz elas valerem a pena é você!