6 coisas para se fazer aos 20 e poucos anos

Os famosos 20 e poucos podem ser empolgantes e assustadores ao mesmo tempo. Carreira acadêmica ou não, abrir uma empresa ou ser empregado, comprar um apartamento ou pagar aluguel, especialização ou mestrado, enfim… Um mundo de possibilidades se abre, mas como saber qual caminho escolher? Nem sempre sabemos. E as respostas não vem prontas, elas vêm no caminho. Por isso, valorize o caminho, as experiências. E, se puder…

1 – Viaje

Viaje, por favor, viaje. Viajar vai mudar completamente o seu modo de ver o mundo, vai mudar quem você é, como você pensa, vai mudar tudo em você. Viaje no Brasil, viaje para fora do Brasil. Conheça cidades inusitadas, povos diferentes, culturas desafiadoras. Desconstrua seus preconceitos, construa respeito. Vá com amigos, vá com a família, vá sozinho. Vá com pouco dinheiro ou com muito, se puder. Vá disposto a pegar trem, ônibus, metrô, barco, avião, o que for. Vá disposto a comer uma comida que você usualmente não come. Vá disposto a conversar com estranhos, a sair do seu “mundinho”. Vá disposto a quebrar seus paradigmas. Faça seus roteiros, crie suas histórias. Traga mais lembranças do que coisas na mala. Aproveite os feriados, as férias, encontre um tempo. Mas viaje, antes que seja tarde.

Quando se fala em viajar, a maioria das pessoas se arma e vem com aquele papo de que é preciso ser rico para viajar. Cá entre nós, isso é mentira. Não é preciso, não. Eu fui bolsista a minha vida toda, vi minha mãe pegando uma sacola rasgada todo dia para sair vendendo todo tipo de coisa de porta em porta pra ajudar nas finanças de casa e meu pai fazendo de tudo quanto era coisa pra trazer comida a mesa. Aprendi desde cedo que, sim, a gente sempre pode correr atrás. Claro que existem fases e fases, às vezes, a gente pode guardar um dinheirinho a mais, às vezes, não, mas por que não tentar? Saber viajar é uma arte. Tudo é uma questão de prioridades. Para poder viajar, eu abro mão de coisas que considero supérfluas, diminuo um pouco aqui e ali, e assim vou tirando os meus sonhos do plano do impossível e trazendo para o plano do possível. E posso dizer que, sim, vale a pena, vale muito a pena!

2 – More fora do país

Morar em outro país, mesmo que seja só um intercâmbio de férias, é uma das melhores coisas que a gente pode fazer na vida. A gente acha que vai fazer intercâmbio pra voltar falando a língua com fluência, mas na verdade a gente volta com um infinito de coisas dentro da gente que aprender a língua é só mais um detalhe de tudo o que a gente traz na mala desse tempo. Para realizar um sonho há um preço a ser pago, é verdade. Mas quando a gente olha pra trás, percebe que valeu a pena sim e que, se necessário, a gente voltaria atrás e faria tudo outra vez. Com perrengue e tudo.

O que a maioria absoluta não sabe é que intercâmbio não é uma viagem comum. Obviamente, estudante não é turista. O orçamento é bem mais apertado na maioria das vezes. Você vai ter as responsabilidades de viver fora — como um morador, não como um cara que tá ali de passagem. Você não vai voltar para a casa com presentes pra todo mundo e talvez nem consiga comprar tudo o que você queria. Você não vai voltar descansado, talvez volte até mais cansado. Você vai passar perrengue, vai chorar de saudade, vai ter medo, vai se desesperar de quando em quando. Vai ter que acordar cedo, dormir tarde, lavar roupa, ir ao mercado, tirar o lixo e outras mil coisas como todo mundo NORMAL. Ninguém vive de diversão 24 horas por dia — nem mesmo no intercâmbio. Mas nos hiatos dessa experiência grandiosa é que a gente tem a chance de viver coisas que marcam nossa vida para sempre. É por causa desses momentos que nossa alma se enriquece. Porque riqueza é muito mais que dinheiro. São experiências, memórias, momentos. E isso nada nem ninguém pode tirar de você — nem mesmo o tempo — porque é isso que torna você quem você é. Intercâmbio muda a gente pra muito, muito melhor.

3 – Aprenda outros idiomas

A gente não pode ter um inglês “the book is on the table” e achar que tá tudo muito bom, tudo muito bem. Aprender outras línguas é uma experiência fantástica, e não é só pela carreira profissional, não. Estudos comprovam que aprender uma nova língua faz uma pessoa reinventar a percepção que tem de si mesma, fora os inúmeros benefícios cognitivos, como a melhora da memória e da capacidade de prestar atenção. É como uma “academia” para o cérebro. Falar mais de uma língua também nos distancia de doenças como o mal de Alzheimer, por exemplo. Fora, é claro, a nova maneira de se ver e de ver o mundo. Os benefícios são tantos que sequer tenho espaço para discorrer sobre isso aqui.

Existem cursos para todos os bolsos e todas as agendas. Se o problema é dinheiro, existem universidades que oferecem cursos de idiomas por parcelas semestrais extremamente acessíveis ou, para quem não pode pagar o curso, os sebos estão cheios de livros didáticos maravilhosos para quem vai aprender sozinho. A gente precisa aprender a correr mais atrás e parar com aquele discurso de vitimismo que nos torna cada vez mais e mais miseráveis. Quer mesmo, de verdade? Faz acontecer então. Com músicas, filmes, livros e tanto conteúdo gratuito na rede há muita oportunidade para perseguir.

4 – Seja voluntário em alguma coisa

Trabalhar como voluntário nos ensina a ter empatia. É maravilhoso! Ajudar uma pessoa a lidar com suas dores pode nos ajudar a curar as nossas. Sim, todos temos o direito de ter as nossas dores e devemos respeitá-las, mas há sempre que se recomeçar. Uma pessoa que só murmura dos seus problemas perde sua visão de mundo, cai nas armadilhas do coitadismo e torna-se uma coadjuvante de uma história que poderia protagonizar. Valores importantes são aprendidos nessa jornada, valores que nos fazem seres humanos muito melhores.

5 – Desenvolva habilidades

Com essa ideia maluca de provar sucesso assim que sai da faculdade, muitos mergulham de cabeça em receitas malucas e só o que colecionam são frustrações e cartelas de remédios tarja preta. A fase dos 20 e poucos não é pra você sair comprando carro importado assim que saiu da faculdade para provar para sua ex-turma o quanto você se deu bem. Se você pensa isso, talvez precise rever sua definição de sucesso. Essa é a fase de plantar. É a hora da “mão na massa”. Coloque na cabeça de uma vez por todas que a colheita tem um tempo, e esse tempo precisa ser respeitado. Desenvolva habilidades, invista em você, em ser um profissional melhor, em ser uma pessoa melhor. Nessa jornada de adquirir competências, descobrimos faces de nós mesmos que o tempo de faculdade não foi capaz de revelar, e podemos descobrir paixões que nos guiem a um caminho de sucesso — na plenitude do que significa essa palavra.

6 – Encontre um esporte para chamar de seu

De nada adianta ser bem sucedido aos 30 anos de idade se sua saúde foi negligenciada por toda uma década. Praticar um esporte não só faz bem para o corpo como também faz bem para a alma e para a mente, e ensina coisas que de outra forma não aprenderíamos tão bem. Resiliência e persistência, por exemplo, são características de quem entende bem o princípio do esporte. Saber lidar com o “perder” e o “ganhar” também. Afinal, nessa vida, estamos sempre expostos a um milhão de metáforas que nada mais são que dicas vindas diretamente do céu para nós por um Deus que, sim, se importa com cada detalhe da nossa vida, sem aquela famosa separação entre o santo e o secular que as pessoas costumam fazer quando se trata dos assuntos da vida.

Tudo é Dele. Entenda suas mensagens. Ele se importa. Ponto.

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Sâmela Ribeiro

Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.