A casa

 

Eu era uma casa velha, em ruínas, de material emocional muuuuuuito desgastado, sem vida, sem alegrias, mas era tudo que eu tinha, e eu vivia assim, tudo era mais ou menos, pela metade, e o que eu podia fazer? A casa era fraca, mas era eu! Dava um jeitinho, maquiava tudo e ia vivendo no faz de conta…

Eu não queria que ela fosse assim, sonhava que ela fosse mais bonita, com aspecto novo como as outras casas que já havia visto. Sonhava até em ser outra casa… Eu pedia a Deus que fizesse uma reforma, mas as coisas não pareciam mudar. De vez em quando ela até ficava arrumada e bonita por fora, mas no seu interior tudo era muito frágil e acabado.

Em certa época, chegou o inverno, um inverno rigoroso, jamais vivido na região em que a casa estava. E ela não tinha estrutura nenhuma para suportar as tempestades e furacões. Não deu outra, a casa veio abaixo, só restou pó, cinzas… Eu não pude entender porque Deus deixou uma casa que já era tão fraca e necessitava reforçar as estruturas pudesse ser destruída por fatores externos. Depois de chorar muito, me questionar e ficar prostrada em meio à poeira daqueles escombros, percebi que nada mudaria se eu continuasse fazendo isso. Comecei a limpar toda sujeira, jogar fora tudo que não servia mais, e que na verdade nunca me serviu, mas eu insistia em guardar. E enquanto eu me ocupava e clamava a Deus com o pouco que tinha restado, Ele foi construindo não mais uma casa, mas um edifício novo e alto, que precisa de muitos detalhes pra ficar pronto, a construção não para, e a paisagem a cada passo, se revela mais bonita, e que infelizmente, ou felizmente, vocês não verão a obra pronta  agora porque ela não vai ser terminada neste lado da eternidade…

Texto da Gih Tenório

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Patrícia Geiger