A chave do coração

Numa instituição de ensino, todos recebem a mesma instrução, o mesmo ensinamento, o mesmo conteúdo. Porém, é curioso que muitas das vezes, nem todos estão dispostos a se dedicarem ao aprendizado; nem todos são aplicados, nem todos tem o interesse em levar a sério os estudos e o que lhes é passado pelos professores, mestres, instrutores, etc. Lógico que levando em consideração os fatores e as diferenças sociais (o que não vamos nos aprofundar aqui). Mas, ainda sim, todos numa sala de aula ou ambiente de ensino (seja lá ele qual for), recebem o mesmo conteúdo.


Fico pensando nas pessoas que passaram por Jesus naquela época (e porque não, hoje também). Sim, nas que foram tocadas por Ele, curadas por Ele, ministradas por Ele (seja pessoalmente ou na multidão, como o famoso Sermão da Montanha, por exemplo). Aquelas que só ouviram falar Dele e ainda sim, foram curadas. Aquelas que tocaram Nele, tiveram um olhar Dele, um sorriso, um aperto de mão, uma boa notícia, uma condição ou a própria vida transformada, sei lá…qualquer coisa referente à pessoa de Cristo e ela; algo pessoal, sabe?


Então, eis que Ele entra em cena! Mais uma vez, e desta, sentado num jumentinho. Todo povo alvoroçado e com ramos de oliveira nas mãos, finalmente reconhecia Sua divindade e majestade (Lc 19:38). Uma linda cena.

Obs.: É importante notar que, enquanto a multidão louva a Deus, aclamando Jesus como rei, o próprio Jesus chora e se lamenta pelo que sobrevirá à sua cidade amada (v.41-44).

O fato é que, este mesmo povo que o recebera como um rei, mais tarde falaria: “Acaba com este! Solta Barrabás!” (Lc 23:18); “Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o!” (v.21); reivindica insistentemente Sua crucificação (v.23).

Eh, definitivamente, quantidade é muito diferente de qualidade! (Jesus chamou a muitos, escolheu 12, andou mais próximo de 03 e somente a 01, chamou de “discípulo amado”).

Muito provavelmente, ali havia muitas pessoas (se não a maioria ou a totalidade delas) que de uma forma ou de outra, tiveram um contato com Ele, seja escutando uma ministração, pegando Nele, falando com Ele, cheirando suas roupas de tão próximos que estavam devido às multidões, olhando Seus atos e milagres, etc.

Então, se tiveram um contato tão próximo, tantas experiências, por que seus sentidos não foram capazes de identifica-Lo, como anteriormente fizeram?

Um detalhe interessante é que (novamente…a maioria das pessoas ou a totalidade delas) eram discípulos e, ainda sim, muitos o abandonaram anteriormente (Jo 6:66/ 12:37), aqui no episodio do julgamento, e também nos dias atuais; amando mais ao mundo, como diz acerca por exemplo, do cooperador de Paulo, Demas (2 Tm 4:10).

Isso porque ser um discípulo apenas, NÃO BASTA!!

Então voltamos ao primeiro parágrafo, o da instituição de ensino.

Muitas vezes, somos nós quem obstruímos a voz do Espírito Santo conosco, devido as nossas equivocadas escolhas. Somos aquilo que consumimos e da forma que consumimos.

Enquanto nós, como discípulos de Cristo, não entendermos que:

Falar é completamente diferente DIZER (Gn 1:3);

Pegar é completamente diferente de TOCAR (Jr 1:9);

Cheirar é completamente diferente de SENTIR (2 Co 2:14,15);

Escutar é completamente diferente de OUVIR (Rm 10:17/ Mt 7:24-29);

Enxergar é completamente diferente de VER (Jo 5:19,20).

E aí, quem sabe algum dia (ainda que com erros e falhas na caminhada), possamos ter a clara e perfeita percepção de que Deus NÃO TEM filhos e filhas prediletos…e sim aqueles que O obedecem e amam mais do que outros (Ef 6:24)!!

RELACIONADO
COMPARTILHE ESTE ARTIGO:
 
mm

Elmo do Couto de Oliveira