A CHUVA E O SOL

Chovia muito durante o dia 15 de janeiro de 2009. Além da chuva, uma ventania apoderou-se da pequena vila de Oliveiras. Nesta localidade existiam apenas dois pequenos fazendeiros, e ambos plantavam milho. Suas terras eram excelentes, as melhores segundo os fazendeiros das cidades vizinhas.

Esses dois fazendeiros cresceram juntos, brincavam todos os dias no riacho lua nova, que é próximo ao pé da jaqueira formosa. Eles aparentavam ser irmãos, de tão parecidos que eram nos seus modos de ser e agir durante a infância. Pela manhã eles praticavam todos os tipos de brincadeiras. Pique–esconde, pega–pega, baleado, jogavam bola, e roubavam muitas frutas nos quitais das casas.

Até o dia 15, a vida deles aparentava ser uma foto cópia de ações. Até a tempestade.

Perda. Eles perderam por causa da forte chuva quase tudo. As duas plantações sumiram sob as águas, as galinhas morreram, as geladeiras queimaram, os cães de caça ninguém nunca mais os viu. As lágrimas brotaram dos olhos dos dois fazendeiros.

Um, dos dois fazendeiros, ao ver a catástrofe que ocorrerá na sua propriedade pensou: Tenho muito a fazer por aqui. Terei que recomeçar quase do zero. Não tenho mais milho, mais galinhas, mas tenho vida e força para lutar. Ele decidiu agradecer a Deus por tudo e reconstruir tudo. Aceitou que seria difícil refazer tudo. Sabia ele que teria que fazer “trabalho de formiga” novamente para restabelecer tudo.

Na fazendo vizinha, o outro fazendeiro, ao contemplar a catástrofe: Lutei tanto pra ter isso e em minutos tudo ir diante de meus olhos.embora Por que isso logo comigo? Deus deve estar me castigando! Devo ser alguém mau ou ter feito algum mal Vou embora daqui, vou para São Paulo ou para o Rio tentar algo por lá.

O fazendeiro que ficou demorou a restabelecer sua fazenda, mas conseguiu. O outro foi para o Rio de Janeiro, ficou maravilhado com a cidade. Logo arranjou emprego, mas com cinco meses de trabalho machucou o seu pulso e foi demitido. Ele pensava que deveria ser um castigo por ele ter saído da fazenda.

O sol brilhava para os dois, a chuva caiu sobre os dois, entretanto as escolhas deles foram bem diferentes. O olhar sobre a mesma situação foi diferente.

Todos passamos por momentos muito semelhantes a estes, quer sejamos ricos ou pobres, brancos ou negros. Não importa há sol e chuva para todos demais do céu. É muito comum ouvirmos frases de uma pessoa que pratica furto: Roubo porque nunca consegui emprego! E de algumas pessoas que têm emprego a seguinte frase: esse emprego foi muito difícil de conseguir, pensei que não conseguiria, pensei até em roubar, mas decidir ir à luta e valeu a pena!

Você tem um presente que ninguém poderá roubar de suas mãos. O que a bíblia chama de livre arbítrio, ou poder de decisão. A vida é repleta de decisões. O próprio fato de uma pessoa falar que prefere não dar opinião para não interferir numa decisão já é uma ação de livre arbítrio. Após a chuva, decida o que você vai fazer da fazenda alagada.

No amor do Pai,

Gustavo Pestana

(Imagem: Chuva e sol- óleo s/ tela de Guilherme de Faria, 1998, de 20x30cm, coleção Taís Cortez, São Paulo, Brasil)

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Gustavo Pestana

Sou natural de Ilhéus-Ba, formado em psicologia e graduando em teologia. Membro da igreja batista da Urbis na minha cidade. Amo escrever e compartilhar o amor d Deus. No momento estou trabalhando com missões urbanas. Também trabalho em dois projetos sociais: Um que com crianças com câncer e um com crianças carentes.