Acredite

Conta-se que havia um homem muito pobre em uma cidadezinha do interior que sonhava em ter uma casa. Sua pobreza nunca determinou seu destino – ele lutou por anos e anos até que seu sonho finalmente se realizou. Sua casa – pequena, simples, mas fruto de muito trabalho e persistência – era mais que uma casa. Era um lar. Aquele lugar simbolizava muitos anos de sacrifício. Ali sua família ria e se divertia como nunca, em um só coração. Havia uma atmosfera de coisas boas tão forte naquele lugar que toda a redondeza era impactada. O dinheiro era contadinho, mas isso não os incomodava. “Nenhum dinheiro do mundo compra um lar”, pensava o homem.

Certo empresário, rico apenas de dinheiro, passava por casebre quando, sem querer, invejou aquela atmosfera. Ele não tinha um lar, tudo o que ele tinha era uma casa grande, elegante e infeliz. A inveja aumentava a medida que aquele se tornou seu caminho. Um dia, tomado de inveja, ele decidiu comprar o casebre. “Vou fazer uma oferta irrecusável”, pensou ele, soberbo. O empresário ofereceu muito dinheiro para aquele pobre pai de família, certo de que o barraco seria seu. Oferta recusada. “A casa não está a venda”, disse. A oferta foi aumentando a medida que os tempos passavam e o dono do casebre recusava dia após dia, veementemente. Convencido de que o homem não a venderia tão fácil, aquele empresário teve uma ideia.

Passado um tempo, ele bateu à porta daquela casa de novo. O homem pobre, ao vê-lo, quis fechar a porta. “Essa casa não está a venda”, bradou. “Espere”, gritou o empresário, “hoje minha oferta é diferente. Estou disposto a pagar o que o senhor desejar para ter um prego da sua casa. Um prego e eu me dou por satisfeito. Não preciso e não quero mais nada.” O homem estranhou: “para quê só um prego? O senhor pode comprar quantos quiser.” “Apenas me venda um prego seu – aquele próximo logo atrás da porta”, disse o empresário, “e nunca mais voltarei a incomodá-lo com ofertas impertinentes.” O homem estava confuso – mal sabia o que significava impertinente – mas pensou “o que é um prego para quem tem uma casa?” E cedeu. Negócio fechado.

Depois de uns tempos, o empresário apareceu naquela casa antes mesmo do sol nascer com parte do corpo de um animal morto. Ao abrir a porta, o dono da casa levou um susto. Aquele empresário foi logo entrando, sem dizer uma palavra, e pendurou aquilo tudo no prego que agora era seu. O homem ficou fora de si “O QUE O SENHOR ESTÁ FAZENDO?” O empresário deu às costas e disse “o prego agora é meu.” Sem poder dizer uma palavra, o homem fechou a porta devagar enquanto o empresário ia embora visivelmente despreocupado.

Aqueles restos atraíram toda a sorte de pestes que se podia imaginar. Logo a família já não suportava mais estar naquele lugar. A harmonia deu lugar ao desespero. A família brigava o tempo todo e a confusão se roubou toda alegria. Não havia nada que pudesse ser feito, o prego não era mais deles. Aquele homem entendeu o recado. Enquanto o empresário não comprasse aquela casa, ele não se daria por vencido. Decidido a vender o casebre, o homem procura o empresário. “Eu compro a sua casa. Mas, dessa vez, eu decido o preço. E eu vou pagar a metade da oferta inicial. É isso ou nada.”

Nessa nossa jornada a gente está sujeito a todo tipo de pressão. Faz parte do processo. Pode ser que em algum momento você se sinta fraco. Pode ser que você sinta medo. Pode ser que você queira desistir. Mas o que você não pode fazer é deixar de acreditar. Porque no momento em que você deixa de acreditar, você dá lugar à dúvida no seu coração. E Tiago diz que aquele que duvida já não alcança mais nada porque tem mente dividida e é instável em tudo o que faz (Tiago 1:6-8).

Aquele prego atrás da porta é a dúvida. A casa é seu coração. Você é o seu guardião. Não dê ao inimigo nem mesmo o prego atrás da porta. Quando ele consegue plantar a dúvida no seu coração, ele consegue o seu todo sem que você perceba. Ele controla sua jornada e seu destino. A dúvida trabalha assim: ela chega disfarçada de razão e pouco a pouco toma conta do nosso coração. Quando a gente menos espera, nossa fé inabalável deixa de fazer sentido e a gente começa a perder a visão. Tudo parece perder o porquê. Nossa mente fica dividida e nos deixa malucos.

Sabe, eu sei que é fácil duvidar. Eu sei que é fácil perder a fé quando tudo ao nosso redor diz que não. Mas não dê lugar à dúvida. Creia! Ele permanece fiel para aqueles que confiam em Suas promessas. Tentamos vencer as guerras sozinhos, mas não conseguimos. Precisamos Dele. Acredite. Deus ainda opera milagres. Inclusive aqueles do coração.

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Sâmela Ribeiro

Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.