Amar é…andar de bicicleta

Já faz um tempo que conversei com um pastor amigo meu. Falávamos sobre relacionamentos – em especial, a desilusão amorosa que já vivi. Isso acarretou em algumas coisas, dentre elas: eu me fechei totalmente, no que diz respeito aos meus sentimentos e emoções. Depois de ter esparramado meu coração, o pastor me contou uma história: “Meu filho tinha uma bicicleta, Rebeca. E ele amava andar e passear nela. Até que um dia ele caiu, e se machucou feio. Ele passou muito tempo sem querer andar na bicicleta”. E como se não bastasse a analogia, ele terminou com a seguinte frase: “Será que você não está com medo de andar de bicicleta novamente?”

No instante em que ouvi isso, me identifiquei com a criança da história. Passei tanto tempo desejando uma bicicleta (ou um amor, leia como quiser) e vivi muitos momentos emocionantes com ela. Mas eu cai feio. Ralei os joelhos e cotovelos. E ver o sangue escorrendo apressado e sem hora para parar…magoou mais do que eu um dia imaginei. Com o tempo, as feridas fecharam e só me restam as cicatrizes – e isso só comprova que sou humana. Não há magoa e nem ressentimento. Mas não posso negar, o medo já permaneceu por muito tempo. O medo de uma segunda queda falava muito alto. A sensação é que eu tinha desaprendido totalmente a andar de bicicleta. Se é que algum dia eu tinha aprendido, de fato, a amar.

Nosso coração tem um tempo e precisamos respeitar isso. E Deus, quem nos criou e com tanto carinho sabe disso como ninguém. E Ele afirma em Eclesiastes 3 que tudo tem seu tempo, e não precisamos ter pressa de nada. Nem para amar ou para andar de bicicleta. Eu me machuquei. E acredito que muitas pessoas já passaram, também, por isso. Sobreviver a esse trauma nunca foi e nunca será fácil. Talvez seja por isso que evitemos conversar sobre o assunto. Largamos a bicicleta para lá, na tentativa vã de que um dia ela suma de vez. Mas não adianta nada. Ela continua ali. Sabemos que vai doer. E dói mesmo.

É algo além da dor física. Mexe com nosso orgulho. Será que ainda sabemos andar, amar? As dúvidas e medo são tão, tão…paralisantes. Mas isso não é bom. Se algo nos impede de seguir em frente, é porque não nos serve mais. Uma hora ou outra teremos que encarar Deus e permitir que Ele cure as feridas, ressentimentos e a imagem distorcida que criamos sobre nós mesmos. Não podemos ter receio de como Deus conduzirá as coisas. Eu creio que tudo coopera para nosso bem (Romanos 8.28) e se você estava fechado emocionalmente – assim como eu estava – uma hora ou outra você será despertado por Deus. Calma! Não saia correndo depois de ter lido essa frase. Entenda: se a missão do Senhor para sua vida é expandir o Reino Dele ao lado de alguém, em algum momento essa pessoa terá que chegar. Concorda?

Porque Deus te deu dons, sonhos, alegria e histórias que merecem ser compartilhadas! Mas as coisas acontecem devagar. E se Deus quem te prometeu uma história de amor, é Ele quem conduzirá isso. A bicicleta faz parte da nossa vida. E mesmo com todos os machucados, precisamos ter esperança. Isso faz muita diferença! O que você e eu sofremos, nos ajuda a irmos com cautela, dessa vez. E tudo bem ser cauteloso. Não queremos que a história se repita, não é mesmo? Um dia conseguiremos subir novamente nas bicicletas. Curtiremos a vista, conheceremos pessoas que agregarão nossa caminhada. O segredo é não desistir. Decidi tirar o pó da minha bicicleta. Comprei cotoveleiras e joelheiras. Estou mais esperta (ou tentando ser). Quero estar pronta e livre para quando a hora certa chegar. E espero que você também se prepare. Coisas boas virão, e podemos ser felizes. Não permita que as desilusões roubem isso de você.

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Rebeca Brito de Andrade

Tem 22 anos, é uma psicóloga em construção. Acredita no poder que as pessoas têm de mudar e transformar o mundo delas. Prefere café com leite, sobremesa e só come bolo no dia seguinte. Ah, é, também, filha de pastor!