Amor é…

Parte do processo de amadurecimento é aprender a tomar responsabilidade pelas decisões que tomamos. Decisões fazem parte da vida, é impossível fugir delas.Toda a nossa vida é uma porção de escolhas entrelaçadas com suas consequências – boas ou ruins. É por isso que o presente é o tempo mais importante que temos – e também o mais negligenciado. A maioria das pessoas desperdiça o seu presente lamentando o seu passado ou fantasiando seu futuro. Mas o presente é a única parte da nossa história que nos pertence. O passado é imutável e o futuro é apenas uma ideia – até que ele se torne o presente.

Eu costumava ser bastante conservadora nas minhas decisões, como se eu precisasse de tudo articuladamente perfeito para poder ficar em paz comigo mesma. Mas eu cresci. E crescer é mudar, é assumir riscos, é tomar decisões. É aprender que há que deixar para trás o que às vezes a gente não quer a fim de que um novo horizonte se abra. É abraçar as consequências, é encarar os medos. É engolir o orgulho e pedir perdão. Lembra quando a gente era criança e reclamava de dor para os nossos pais? Eram dores de crescimento. Crescer dói, mas permanecer pequeno não é a solução. Abrace o processo ao invés de ficar lutando com ele como se fosse uma criança mimada que não tem o que quer.

Um dia você também como eu vai ter que aprender que amar faz parte do processo de crescer. Um dia você vai ter que aceitar que não basta ter uma porção de gente que apaixonada não por você – mas pela sua idealização – que isso é vazio, é pouco. Um dia você vai ter que aprender a não brincar com o sentimento das pessoas. Um dia você vai ter que aprender a não usar as pessoas para conseguir o que quer. Um dia você vai ter que aprender que amor é sacrifício, é renúncia, é entrega. Um dia você vai ter que aprender que a vida passa e a única coisa que nos arrependemos no final é de não ter amado mais – não do dinheiro que não se ganhou. Um dia você vai ter que aprender que o amor repara a alma quando nada mais repara. Um dia você vai ter que aprender que amor é coisa de gente grande – grande por dentro, na alma e no espírito.

“Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno.”

C.S. Lewis, “Os quatro amores”.

É por isso que se arrisca quem cresceu e está crescendo. Arriscar-se abre as portas para um novo tipo de vulnerabilidade – uma vulnerabilidade cujo preço vale a pena. Coragem não é ausência de medo, muito menos inconsequência – não é isso que quero incentivar. Incentivo a grandeza do amor descrito em 1 Coríntios 13: 4-7, um amor que é “(…) paciente, (…) é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

É por esse amor – essencialmente divino, nascido em Deus e completo somente nele – que devemos nos arriscar. Quando corremos o risco por causa Dele e não nossa, então nós contribuímos para uma glória eterna que vai além de nós mesmos. Entendemos o processo: nós nascemos para amar. O amor nasceu no céu – e nele se completa.

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Sâmela Ribeiro

Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.