Apenas os humildes amam


Espanta-me a facilidade que temos em construir muros em nossos corações. Construímos muros por muitos motivos, mas um deles certamente é o orgulho. Vejo uma geração doente, demasiadamente cheia de si e de desculpas esfarrapadas. Não há a mínima possibilidade de se construir um relacionamento saudável se não houver humildade. O orgulho faz com que muitas histórias de amor tenham um fim prematuro ou um início tardio – ou talvez a causa de elas jamais virem a existir.

Jesus disse que aquele que quisesse ir após Ele deveria renunciar-se a si mesmo, tomar sobre si a sua cruz, e aí então seguí-lo. Há muita riqueza desse versículo. Jesus não estava falando sobre viver uma vida pequena – Ele estava revelando o segredo de uma vida riquíssima. Ele continua dizendo que aquele que quiser salvar a sua vida, deve “perdê-la”, e quem perder a sua vida por amor Dele, na verdade a “encontrará”. Porque Jesus sabia.

Fico imaginando como foi para o filho de Deus ralar o joelho quando criança enquanto brincava com seus amigos na cidadezinha de Nazaré. De repente, o menino Deus confinava-se em um corpo mortal, tão forte e tão fraco, que Ele mesmo havia planejado em conjunto com o Pai e com o Espírito. Como pode
ser que as estrelas que forravam o céu a noite tenham sido obra de suas mãos que agora pareciam tão pequenas? Como pode ser que se confine no tempo o próprio autor do tempo, aquele que era, que é e que há de vir?

É por isso que Jesus sabia. Ele experimentava um nível de renúncia que jamais conseguiremos entender. Naquele momento, ele tentava revelar o segredo da grandeza para mentes tão pequenas. Cercado de um povo que achava que a grandeza de um homem era função de um sobrenome importante, uma família rica ou um cargo de “poder”, aquele que era completamente homem e completamente Deus apontava a humildade como o caminho para a grandeza. Paradoxos grandes demais para mentes tão medíocres.

Perder a vida para encontrá-la não é trancar-se dentro de si e construir um coração de pedra. Encontra-se a vida quando arrisca-se e tira-se o coração do intocável. C. S. Lewis diz que se você quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Não o entregue a ninguém, nem mesmo a um animal. Mas, nesse esquife, ele se tornará indestrutível, impenetrável, irredimível. O medo de se envolver leva a condenação.

Não estou incentivando a inconsequência ou falta de sabedoria. Estou criticando o orgulho. Salomão diz que devemos guardar nosso coração porque é dele que procedem as fontes da vida. Mas ele falou para guardar o coração, não para construir muros que o tornam inalcançável. Seja sensível a voz de Deus. Procure saber qual o momento certo. Não construa um coração impenetrável e dê a desculpa de “estar esperando”. Para amar é preciso ser humilde. Seja humilde. Se quiser tocar o céu, esse é o único jeito. Amar é ter que encarar as diferenças, negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz… E, por fim, amar é seguir Jesus.

Sâmela Ribeiro
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Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.

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