Armazéns ambulantes

Somos seres repletos de questões: psicológicas/emocionais (nossos sentimentos e pensamentos), comportamentais (nossas ações), sociais/relacionais (os relacionamentos sociais e interpessoais), administrativas (as responsabilidades como cidadãos), profissionais (tudo que isso envolve), espirituais (o credo ou a fé de cada um), físicas (saúde/corpo) e mais algumas…

Às vezes, uma se funde a outra e/ou ocupa seu lugar, não podendo saber assim, onde termina uma e começa a outra.

Pensava cá com meus botões…

…entendo que somos como verdadeiros armazéns – “armazéns ambulantes”; de coisas boas e/ou ruins. Temos um “estoque no sistema” (apenas nossas palavras e desejos), bem como, outro no físico – nossas atitudes. Todas elas, entretanto, relacionadas às questões descritas no começo do texto. Nem sempre essa conta bate, uma vez que, num estoque perfeito, o que há no sistema deve igualmente haver no físico. Ou seja, o que fazemos deve estar inteiramente de acordo com o que falamos, pensamos, desejamos. E devido às circunstâncias da vida e do dia a dia (o que vemos, o que ouvimos, onde estamos, por onde temos andado), esse estoque tende a ser alterado, corrompido, poluído exatamente pela fonte de onde o estamos buscando (Mt 12:34). Pode ocorrer que em nosso estoque, há coisas que são essenciais e estão em falta (quando não deveriam) ou estão abaixo do que deveria ter. Outras, que sua presença é totalmente descartável (até nocivas) e devem ser detectadas, deletadas do sistema e excluídas do físico.

Em nosso “armazém”, existem bons “produtos”: amor e respeito ao próximo, positividade (e não me refiro a mantras ou coisas do gênero), boas ações (sabe aquelas sem interesses?), relacionamentos saudáveis (seja familiares, profissionais, afetivos, amorosos, etc), honestidade, investimento na carreira profissional, o não sedentarismo, gentileza, educação, um verdadeiro encontro com o Deus (o principal de todos) e por aí vai…

Mas, igualmente, pode haver maus “produtos”: mágoas, iras, falsidades, futilidades, irresponsabilidade, orgulho, mentiras, ignorâncias, ateísmo, comodidade, sedentarismo, pornografias, solidão, vícios e, a lista é extensa demais…

A grande questão é: o que queremos ter no sistema e oferecer no físico? Que tipo de estoque estamos comprando (ou desejando obter em nossos armazéns pessoais)? Que tipo de “produto” estamos fornecendo aos nossos “clientes”? (Pv 16:23).

Nessa engrenagem de questões, vamos estocando o que não presta e dispensando o essencial; atendendo, devendo, pagando com atraso, negociando, agendando a entrega em longo prazo, substituindo por um “produto” de má qualidade ou de qualidade inferior a que outrora fornecíamos; quando deveríamos entregar exatamente o que gostaríamos de receber como clientes. E nesse cenário, “o cliente não terá sempre razão”; nós como fornecedores podemos ter. Desde que, não mais mecanizemos os processos. Desde que, humanizemos nossas relações.

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Elmo do Couto de Oliveira