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Bem me quer…mal me quer

“Bem me quer, mal me quer! Bem me quer, mal me quer! Bem me quer, mal me quer…”
A frase (no original, “effeuiller la Marguerite”, em francês – desfolhar a margarida) refere-se a um jogo de origem francesa, no qual uma pessoa pretende determinar, desfolhando uma simples margarida, se o objeto do seu afeto retribui esse mesmo afeto ou não (Referência: The French at Home: A Nation’s Character, Culture and Genius as Observed by an American Diplomat, Albert Rhodes, 1875 (republicado em 2005).

Estive pensando nesse tolo jogo (ou brincadeira, sei lá) referente à relacionamentos a dois e percebi uma importância excessiva no que o outro pensa sobre mim (no caso, de quem faça o jogo). Quem joga é normalmente motivado pela atração em relação à pessoa para a qual recita as frases e pretende procurar uma crença pré-existente.

Ampliando a ótica, o que seria o “bem”? E o “mal”?
Talvez o que seja pra um, pode não ser para o outro.
Mas, aprofundando um pouco mais, como quem quer chegar a raiz da questão, como eu sei que a minha percepção de “bem e mal” estão corretas? Somente pelos meus julgamentos de “certo ou errado”? Meio arriscado confiar em si mesmo, não acham? Sobretudo quando se trata de fatores que não são tão claros como assassinar, roubar, fraudar; ou por sua vez, fazer caridade, pagar suas contas, honrar sua palavra dada, etc.

Se por um lado, o “mal” CLARAMENTE VISTO nos causa certa repulsa, o “bem” igualmente sabido, NÃO PODE OU NÃO DEVERIA nos dar uma FALSA sensação de honra, já que não estaríamos (como dizia mamãe na época da escola) “…fazendo mais do que minha obrigação”.

Eu, pelo menos, como cristão, NÃO CONFIO nos meus próprios julgamentos de bem ou mal / certo ou errado. Entrego todos eles à luz das Escrituras, pois sei que nela, posso confiar. E ainda sim, necessito não das minhas puras interpretações acerca do que nela está escrito mas, de uma revelação de um bom, fiel e constante Amigo…o Espírito Santo.

Somente isso é necessário para que eu não me meta em apuros?
NÃO! Óbvio que não! Pois, sei que meu corpo, minha mente e minhas vontades querem POR NATUREZA (Adâmica, caída, desobediente) não aceitar o que leio. Por um simples fato: assim como o “bem” (revelado pelo Senhor na Sua Palavra), o “mal” também me quer, me deseja, me atrai. E isso a mim e a você (seja cristão ou não, diga-se de passagem). Mas, a cada vez que me aproximo do Amigo que falei, vou colocando minhas vontades no lugar delas e deixando a Sua voz ser meu norte, minha bússola…TODOS OS DIAS (Rm 8:5,7,8,13; 12:2).

SOMENTE ASSIM, abrindo mão das minhas vontades e quereres, e tomando a ATITUDE de querer ser amigo do meu Amigo, poderei frear e abolir o “mal que me quer”. Abolir não significa que o mal vai desistir de mim, mas, que não terá mais sobre mim, poder ao que me atraia.

O mal, sobretudo o oculto, quase nunca vem se mostrando como mal. Às vezes, se mostram tão inofensivos, quase inocentes, que não somente o gostamos; o desejamos como também, o adotamos como íntimos. Como disse, somente as Escrituras vão balizar e mostrar o “lobo na pele de cordeiro”.

Uma coisa eu tenho certeza: se você não souber exatamente a fonte dos teus sentimentos (e a quem eles estiverem direcionados), pode ser que caia na armadinha de pensar que o “Bem me quer, mal…” ou “…mal me quer! Bem…”

Que seja seu desejo querer bem, Aquele que te quer…mais próximo; ainda que suas pétalas estejam desbotadas (Is 49:15,16).