Com licença…está servido?

Em uma confraternização (lê-se: qualquer ambiente de festa; em casa ou num estabelecimento), além das pessoas, da música alta, das conversas trocadas, da arrumação, do propósito em si de sua realização, há também os “comes e bebes”. Bandejas passando por todos os lados com iguarias diversas. Pessoas bem arrumadas abaixam o braço e, na sua frente, a escolha de pegar ou não o que lhe fora servido. Às vezes, coisas que você já conhece o sabor, pega sem medo; faz-se até um pratinho básico; sabe-se lá quando aquela delícia voltará. Há casos até de levar uma sacolinha extra pra trazer algum pra casa (quem nunca?, Rs). Outras desconhecidas, após a conferência do que seja, não pegamos ou pegamos na esperança de que vamos gostar. Caso não goste, engole pra acabar logo aquela sensação ou cospe (mesmo escondido). E claro, goles e mais goles do líquido saboroso escolhido, ajudam a descer o que se comeu…as boas e as ruins ingeridas.

Diariamente em nossa vida, coisas também nos são oferecidas. Doces e saborosas; amargas e rins. Bandejas passam à frente de nossos olhos e as mãos, quase que num movimento involuntário, já se preparam pra pegar. Muitas das vezes, sem analisar em que estamos pondo as mãos.

As doces e saborosas, nem sempre estão no momento de serem provadas. As amargas e ruins, nem sempre nos farão mal. Existem remédios muito amargos, mas, que curam. Existem comidas hiper saborosas, mas, que nos fazem mal. Cada um tem seu tempo certo de ser ingerido. Já falamos aqui que “tão importante quanto identificarmos QUE alimento estamos comendo, é sabermos QUEM está servindo” (Leia: http://www.euescolhiesperar.com/artigos/o-sabor-da-fome).

E as bandejas seguem passando e nós seguindo na difícil tarefa das escolhas. Bandejas de alegria, vividas no tempo certo ou deixadas passar porque fomos machucados por alguém; Bandejas da dor, que foram curadas e deixadas de lado ou enchidas num pratinho pra comermos de tempos em tempos; Bandejas de satisfação, sentidas conosco (ou com outrem) ou ainda trocadas pela insatisfação de algo não vivido; Bandejas do conformismo, negadas, pois, queremos algo melhor ou pegadas aos montes por achar que nosso tempo “já era”; Bandejas de decepção, enchidas no copo até a boca e dando uma bela golada, já que as expectativas foram todas frustradas ou negadas, pois, essas expectativas não estavam numa pessoa, estavam em Deus; Bandejas de amor próprio, essa nem precisamos pegar, até porque já nos alimentamos dela diariamente ou precisamos tanto que enchemos a sacolinha pra levarmos conosco; Bandejas de serviço/de generosidade, servidas por nós mesmos, afinal, não podemos ver alguém precisando e ficarmos parados ou ignoradas, importando somente e tão somente nós mesmos; Bandejas do perdão, pegando aos montes e esperando uma próxima passagem, pois, não fomos tão bem com aquela pessoa ou não pegamos e sofremos pela oportunidade perdida de receber ou dar a alguém; Bandeja do amor, essa a mais esperada, a mais desejada, nunca é demais levar bastante na sacolinha, nunca é demais compartilhar com quem não tem ou  simplesmente, a trocamos com a Bandeja do ódio.

Tantas e tantas outras bandejas passam em nossa frente durante toda nossa vida. De todas, se não houver a Bandeja da busca em Deus, as demais serão sempre corrompidas, ou seja, não teremos discernimento para negá-las ou aceitá-las quando oferecidas. Discernimento pra saber se o que vem é o que queremos ou o que precisamos. E de fato, queremos o que precisamos?

Bandejas vêm e se vão. Aceitar as erradas pode custar muito. Deixar as certas passar, pode ser que elas não voltem mais…

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Elmo do Couto de Oliveira