Corações gelados

As tragédias, não mais nos impressionam. As catástrofes, uma vez sentidas por nós no exato momento em que chegam pelos muitos meios de comunicação, depois é esquecida, apagada, deletada, excluída da nossa mente. A grande nuvem de más notícias que nos envolvia, se dissipa tão rapidamente, quanto quando apareceram. Elas não dão espaço pra digerirmos e logo vem outra, e outra, e outra. Passamos a nos acostumar com elas, meio que anestesiados, sabe?

Nesse pano de fundo, o respeito ao próximo, ainda que o mesmo nem esteja tão próximo assim, se torna secundário, menos importante, diria; quase insignificante, invisível.

Pessoas se “atacam” por tão pouco (ou por nada); ofendem ou são ofendidas a todo instante; num mundo de rivalidades gerado por interesses próprios.

A educação (não a que se aprende na escola, mas, em casa), que outrora fora motivo de orgulho dos nossos pais, dados por nossos avós (e a eles, pelos seus), de alguma forma, é bloqueada, por uma frieza ao correto, ao justo, ao fiel, à moral e os bons costumes.

Um “Dá licença!”, “Muito obrigado!”, “Bom dia / tarde / noite!”, “Me perdoe!”, tornaram-se frases cada vez mais raras, quase fora do vocabulário popular. Quem as recebe, toma até um susto. Quem as dá, é considerado “pessoa de muito boa educação”. Mas, isso não deveria impressionar; deveria ser normal, não?

Já me perguntei: Por que existem bancos nos coletivos pintados de amarelo para determinado grupo de pessoas?

Por que existem filas nos bancos com prioridade?

Por que quando você está sentado num coletivo, e pede pra segurar a bolsa de uma mulher ou a mochila de um rapaz que está em pé, eles se surpreendem?

Só existem lugares prioritários, porque existe a falta de prioridade ao próximo.

Se a importância do próximo prevalecesse, mesmo eu estando sentado num banco que não é prioridade, por exemplo, o correto seria levantar e oferecer o assento.

A grande verdade é que isso não é coisa nova. Não saíram nos jornais de hoje, sites de notícias, telejornais da noite, programas de fofocas, etc. Essa falta amor ao próximo, já vem de séculos, milênios. Mas, nunca tivemos uma geração tão olhando pro seu umbigo como essa. A maldição do “Eu, eu, eu…meu, meu, meu” invade nossas conversas, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas atitudes. Um iceberg dentro do peito no lugar do coração. E foi profetizado exatamente isso: “E, por causa da multiplicação da maldade, o amor da maioria das pessoas se esfriará.” – Mt 24:12

Mas, tudo tem um começo. E o começo foi a falta de amor por Deus. A Bíblia, não é a história do homem em busca de Deus; é justamente o contrário; Deus SEMPRE esteve (e está) atrás do ser humano (Rm 5:6-8), que insiste em fugir Dele (Rm 7:14-24). E o amor a Deus, não é medido por levantar as mãos num culto, choros, arrepios, falar em línguas estranhas, ter um ministério, cargos (no mundo secular e/ou cristão), boas obras (sim, inclusive), proferir um “Graças a Deus!”, “Se Deus quiser!” ou mesmo falar que “crê em Deus” e continuar vivendo da SUA maneira. NÃO!

Amor a Deus é medido por OBEDIÊNCIA! (Jo 14:21-24 / Mt 7:24-27).

Amor a Deus e ao próximo é a obediência que Ele espera de nós (Mc 12:29-31); e isso, gera renúncias, conflitos, perdas, dores, morte (do “eu”). Mas, gera vida, e vida em abundância…Nele!

O apóstolo João disse certa vez que “Se alguém declarar: ‘Eu amo a Deus!’, porém odiar a seu irmão, é mentiroso, porquanto quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não enxerga. Ora, Ele nos entregou este mandamento: Quem ama a Deus, ame de igual forma a seu irmão!” – I Jo 4:20,21

João não está falando de religião ou de amar somente o cristão. Isso porque Jesus também não falou isso, e sim, apenas…amar!

Lembre-se:

“Ainda que…

…se não tiver amor, NADA serei.” – I Co 13

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Elmo do Couto de Oliveira