Corações Inteiros

Copos vazios. Corações partidos. Pessoas vazias. Laranjas pela metade. Tampas sem panelas. O mundo anda bem confuso. Uma correria frenética para ver quem encontra primeiro algo que complete, alguém que preencha esse vazio interior. Quem chegar por último…fica sozinho. Mas calma lá, chegar aonde? Quem marcou a linha de chegada?

Quando crianças, tínhamos medo de bicho papão. Hoje, crescidos, temos medo das perguntas nas festas de fim de ano: “E aí, João, e as namoradinhas?”, “Maria, vai casar quando?”. Na tentativa de evitar invasões desnecessárias e sentimentos de solidão, parte das pessoas se joga em um caminho perigoso. 

Aceitam relacionamentos de metade. Submetem-se a serem uma parte do vínculo – seja ele amoroso ou de amizade. Pessoas inteiras, que com medo de permanecerem sozinhas, se dividem, e assumem a missão de preencher um outro coração. Diga-se de passagem, esses corações inteiros desaprenderam sobre a real ideia do relacionamento.

Eu, que nunca fui fã de matemática, aprendi com minha amiga Sara, sobre como ela pode fazer sentido e ajudar a entender essa dinâmica que é se relacionar com gente. Em mundo que se preocupa em dividir para somar, temos que viver a matemática inversa: dividir para multiplicar. Só se divide algo que esteja inteiro. E em uma relação – qualquer que seja – corações inteiros são o potencial necessário para multiplicar com outras pessoas. 

No intuito de terem algo rápido e sem demora, pessoas inteiras se entregam para pessoas metades, rasas. O resultado? Sofrimento e questionamento sem fim. Pessoas rasam impulsionam essa ideia de encontrarem a “metade”, a sandália para o pé descalço. São pessoas que não se preocupam em crescer, em se desenvolver e ser o máximo que podem ser, para um dia transbordarem. Querem sempre algo em troca, e seduzem com facilidade. Sugam, e mesmo assim, não se sentem inteiros.

Não são todas pessoas ruins, não estou aqui para colocar juízo de valor. Tem a ver com o que buscam para serem plenos. O que é que fazem quando se dão conta de que são metades? Buscam em outras pessoas? Preenchem os copos com amores rasos? Com sentimentos superficiais? A procura parece não ter fim. O que mais me choca é como os corações inteiros se submetem a isso. Desistem no meio do deserto – que aparenta não acabar jamais.

Todos procurando algo que faça essa sensação ir embora. Será que um dia o grito de amor deles ecoará em outros corações prontos para expandirem? Transbordarem? Multiplicarem? Sim, esse dia chegará. É preciso coragem para encarar esse tempo. Coragem. E vontade.

Percebe que na matemática a multiplicação resulta em números maiores? Pois bem, é assim que deve ser. Relacionamentos que são frutos de corações inteiros alcançam outros corações. Inteiros completos, e ainda assim dispostos a dividir. Porque é dividindo que se multiplica. Foi isso que aconteceu no monte do Calvário (Marcos 15.22-38). O coração inteiro de Jesus revelou esse cálculo na cruz.

É por causa desse Amor que podemos ter esperança. Ele foi capaz de entregar tudo Dele por minha causa, e por sua causa. E quando se aceita esse presente, o coração que antes estava à procura de algo para ser cheio, encontra-se pleno. E, finalmente, capaz de se dividir…para multiplicar. Jesus tem o coração inteiro, e Ele está disposto a dividi-lo com você.  Chega de procurar em poços secos. É o amor que faz o coração ser inteiro. É O amor.

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Rebeca Brito de Andrade

Tem 22 anos, é uma psicóloga em construção. Acredita no poder que as pessoas têm de mudar e transformar o mundo delas. Prefere café com leite, sobremesa e só come bolo no dia seguinte. Ah, é, também, filha de pastor!