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Corpos Descartáveis

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Já se sentiu insuficiente, descartável?

A categoria “descartável” tem predominado as prateleiras, as conversas e os relacionamentos. Copos descartáveis, pratos descartáveis, pessoas e corpos descartáveis.

Na mesma velocidade que se apaixonam, se “desapaixonam”. Querem e não querem. É um tal de “querer estar junto”, mas nada de assumir de fato. Tratam o outro como um objeto, na tentativa vã de se divertirem o máximo que podem, sem ao menos arriscarem colocar os pés na água. São superficiais – as pessoas e os relacionamentos.

Lorena Chaves já bem disse em uma de suas canções:  “…A liquidez do amor, que escapa os dedos, faz que nasce e morre”. (Clica no nome da música e confere o verso! “Por Onde For”). E é de fato, isso. Pessoas que fazem nascer o sentimento no outro sem a intenção real de cuidar do que foi semeado. E morre – ou em outras palavras, joga fora.

Liquidez, superficialidade, descartável. Isso não te assusta?

Saber que o mesmo rapaz conversa com uma garota pelo Messenger no Facebook, mantém contato com uma outra menina pelo Whatsapp e sem nenhuma vergonha, manda direct no Instagram para uma terceira (ou quantas desejar). E há de se dizer que o contrário também é verdadeiro: meninas que se comportam da mesma forma.

E talvez para eles faça sentido. “Ué, Rebeca, se não der certo com aquele(a), estou pelo menos garantindo o(a) outro(a). Que mal que tem?” Eu é que te pergunto: que mal tem viver isso? Conversas banais, assuntos sem nenhum conteúdo, comentários ambíguos para chamar atenção, curtidas e respostas sem objetivos em si (a não ser chamar a atenção do “contatinho”). Será que tem algum mal ir de perfil em perfil, de coração em coração, de corpo em corpo, experimentando tudo e tratando como descartável o que você não curtiu? Tem algum mal nisso? Tem!

Liquidez, superficialidade, descartável, indiferença. Isso me assusta.

Mário Quintana disse uma vez que…”O que mata um jardim não é o abandono. O que mata o jardim é esse olhar de quem passa por ele indiferente. E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver”. E se eu puder acrescentar, é da mesma forma com as pessoas.

Fingem não perceber que o outro tem sentimento. E não digo que essa indiferença é de apenas uma das partes, acontece de ambas saberem que o que estão vivendo é momentâneo e sem nenhum sustento. Essa atitude faz com que o que é real escape pelos dedos – vivem uma liquidez do amor.

E como resultado, deixam morrer desejos internos, sonhos antigos, vontades de amar e ser amado na mesma medida – e de um jeito bem profundo! Talvez faça sentido para eles, volto a dizer. Mas não faz sentido para mim. Por que viver de migalhas? (Dá uma lida nesse texto aqui “Migalhas São Suficientes Para Você?”)

Penso que o que falta é sustentabilidade. Não digo “solidez” para você não pensar em algo rígido, sem movimento, e estático. Relacionamentos sustentáveis são nascidos nas origens certas e possuem objetivos, meios, e um final (talvez não tão feliz como os das princesas das Disney. Mas, quem sabe?). Sustentabilidade é o oposto da liquidez. É saber do que você é feito e o que faz o outro ser outra pessoa. É compreender que quando duas pessoas estão juntas, vai muito mais além do contato físico – existe o emocional, o espiritual.

Quando seu coração encontra o sustento Naquele que criou você, é possível viver toda a plenitude de um amor. Sem promessas falsas, sem comentários que visam somente aumentar o ego e elogiar o corpo, sem ilusões e flertes que não possuem nenhuma perspectiva de conquista real.

E sim, isso não é impossível.

Basta você procurar aonde todas as coisas tiveram o início, em Quem todas as coisas foram criadas – como o meu coração, e o seu coração!

“Todas as coisas foram feitas através Dele, e, sem Ele, nada do que existe teria sido feito”. (João 1:3)