Em 2016…

A vida é uma história que parece longa enquanto a gente escreve e brevíssima quando chega ao fim. Estranho isso. Um paradoxo. Que pecado imperdoável a gente passar a maior parte do tempo perdendo tempo. Soa estranho, mas a gente sabe que é verdade. Antes a gente se preocupasse mais com os personagens e construísse um enredo de tirar o fôlego. Antes a gente não escondesse o que guarda no coração e o escondesse do mal. Antes a gente desse mais as mãos e apontasse menos o dedo. Antes a gente respeitasse as diferenças e tentasse construir dentro de si um ser humano espetacular. Antes a gente entendesse que o tempo é curto. Antes a gente entendesse que não há mais tempo a perder.

Brindamos a “vida longa”, mas na verdade sabemos que ela não é. É aquele engano que insistimos em acreditar. Por mais que se viva muito, nossa vida na terra não passa de uma gota da eternidade. O que são 100 anos diante dela? A mente humana não compreende a eternidade. Não poderia ser diferente, afinal a eternidade é divina. Não se compreende com a velha natureza. Por isso, para muitos, somos loucos. Eu sou louca. Aliás, loucura é mais um desses conceitos que parece fora de contexto, já que hoje em dia loucos são tido como sábios e sábios como loucos. Precisamos enlouquecer um pouco e pensar na eternidade.

No tempo do eu-só-quero-saber-quantas-curtidas-eu-tive-na-minha-foto, louco é aquele que se importa mais com a essência do que com a aparência. É aquele que não abre mão dos frutos verdadeiros. É aquele que procura o cerne de todas as coisas. É aquele que não se contenta com o superficial. É aquele que é profundo em terra de gente rasa.

Lembre-se: sua alma é eterna, seu tempo na terra não. Faça o que tiver que fazer. Assuma riscos. Não adianta ano novo se você não mudar. O risco pra se assumir hoje é o risco de ser autêntico. Já fez as pazes com seu maior inimigo hoje? Ainda dá tempo. Corre para o espelho, olha no fundo dos olhos daquele cara que está lá “do outro lado” e diz assim, em alto e bom tom: seja você mesmo. Todos os outros não valem. Diante da eternidade, não há tempo para se perder em aparências. Aprofunde-se Nele. E, aprofundando-se Nele, conheça você mesmo. Porque como disse C. S. Lewis: “Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos – pois foi ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser. É quando me viro para Cristo e me rendo a sua personalidade que pela primeira vez começo a ter a minha própria e real personalidade.”

Eu encontrei a minha vida quanto eu a entreguei a Ele. Esses paradoxos, parte de um plano muito maior do que eu, fazem com que, para o mundo, eu seja louca. E eu sou. Diante da eternidade, só me importa uma coisa: que seja apenas aquilo que é. Não tenho tempo para me importar com o que vão pensar de mim. A imensidão é para quem tem coragem. Você tem coragem?

Em 2016, tenha coragem. A vida vale a pena. Ele vale a pena. Ele é a própria vida.

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Sâmela Ribeiro

Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.