Essencial ao descartável

Mamãe já dizia – e a sua, minha avó, idem – que quando eu fazia algum bem, não estava “fazendo mais do que a minha obrigação”, independente do que fosse. Eu ali adolescente esperando um elogio, um reconhecimento pelo glorioso ato, mas, vinha essa afirmação. Quantos de nós não passamos pela mesma situação? Talvez, pelo simples fato de imaturos fazermos tantas  bagunças, travessuras enquanto jovens. Quando estávamos quietos demais, pensavam que estávamos doentes. Então vamos crescendo, amadurecendo e as bagunças e travessuras não mais fazem parte de nós (ou não deveriam).

Passamos a partir daí, a sermos cobrados e responsáveis por nossos atos, bons ou ruins. Somos cidadãos vivendo sob a tutela de algo chamado Constituição Federal. A maioridade nos dá direitos e deveres a serem cumpridos e respeitados. Porém, como cidadãos dos céus (uma vez entregues nossa vida ao Senhor), temos outra Constituição a seguir e mais importante (não esquecendo, muito menos abrindo mão, da primeira) que é a Lei de Deus, contida na Bíblia Sagrada. Essa Lei vai regendo nossa vida, nos transformando, nos moldando ao caráter do Criador dela, ainda que, como seres imperfeitos, venhamos a burla-la. Mas, ainda sim, quando a conhecemos, somos totalmente responsáveis por nossos atos e possíveis consequências, demore o tempo que for.

Também é fato que em nossa vida já recebemos dezenas ou centenas de elogios: uns em casa do cônjuge, outros no trabalho por colegas ou patrões, aqueles raros dos pais, avós, etc. E isso nos deixa tão feliz (claro, quando não nos leva a soberba). Agora, imagine você receber elogios do próprio Deus? Sim, do Senhor Todo Poderoso, Criador e dono de tudo o que teus olhos alcançam e do que ainda nem imagina ver ou existir? (Jó 1:8). Assim foi com Jó, um homem que era tão bom, honesto e justo, a ponto de o próprio Senhor o elogiar. Não era impecável, pois, ele mesmo sabe reconhecer seus pecados, ainda que defenda sua integridade moral (Jó 6:24; 7:21), mas, como a própria Palavra diz: “…que ama e teme a Deus e se desvia do mal.”. Que nível chegou esse homem, que nem a Deus conhecia direito (só tinha ouvido falar – Jó 42:5), mas, que tinha seu coração e ações totalmente direcionadas à obediência e fidelidade. Já ouvi muita gente dizer acerca das pessoas que sempre serviram a Deus em fidelidade, mas, que se desviaram do Caminho, que na verdade, elas nunca tiveram um real encontro com Cristo. Aí eu vejo que Adão recebia Deus em pessoa no Éden; Judas e Pedro andaram com Jesus e um traiu e o outro O negou. Todos eles tiveram suas oportunidades (Pedro posteriormente seria perdoado). No entanto, Jó só ouvira falar de Deus e mesmo assim, decidiu ser fiel. Tinha tudo o que um homem poderia desejar, mas, decidiu ser fiel.

Nossa caminhada é repleta de desníveis, terrenos acidentados, momentos “opor” e inoportunos. Vez ou outra, somos pegos de surpresas por acontecimentos que testam nossa destreza, maturidade, responsabilidade, paciência, fé, obediência, fidelidade.

Hoje, quando se fala de infidelidade, os olhos já (e só) apontam para uma traição homem x mulher. Mas, não! Vai muito além disso. Somos infiéis nos relacionamentos, sejam eles afetivos (com nossos cônjuges, famílias, parentes), profissionais (patrões ou colegas de trabalho), interpessoais (colegas ou amigos). Somos infiéis com Deus. Lógico que nem todos são em todos os casos, mas, no íntimo do nosso ser (sabe, lá aonde Deus te conhece como nem você mesmo?), somos infiéis. Nem que seja uma vez na vida, somos. O ser humano é infiel, é mal, é desonesto, é podre. E já abordamos aqui numa outra oportunidade que, sem a ação do Espírito Santo em nós, todos…eu disse TODOS NÓS, somos uma porcaria, fato! Mesmo desfilando com uma capa de santo por aí.

Mas, você já teve a sensação de estar sempre se dando mal por fazer o correto?
E quando isso acontece por sua fidelidade?
A fidelidade pode te levar ao deserto, à dor, à dificuldade, à tristeza momentânea. E lendo a historia de Jó, vamos ver que essa fidelidade lhe custou caro, muito caro. A diferença, é que foi Deus quem estava no controle se sua vida, e ele estava em segurança, ainda que não percebesse na hora. O resultado foi maravilhoso, surpreendente (Jó 42:10).

Fidelidade não depende do quanto ou o que você tem. Se você é infiel no pouco, no muito você também o será. Jó era fiel no muito (Jó 1:2-5) e continuou sendo por toda sua história. Fidelidade depende do quanto e do que você é. A infidelidade é a materialização de algo já semeado no coração de cada um. Ela mostra o que de mais podre há em nós. A simples troca do essencial pelo descartável.

A grande questão é a o que você está sendo fiel. Muitos são fieis às suas convicções, aos seus achismos. Outros são fieis a quem é maior do que eles e pode mudar a sua história (no caso, Deus). A minha fidelidade não se restringe aos cristãos, amigos, familiares ou pessoas que gosto. Ela não é negociável e não tem haver com pecado, medo, princípios, dogmas. Não têm haver com pessoas, tem haver com fé, com o caráter de Cristo; tem haver com amor (1 Jo 4:19).

Fidelidade não é pra todos. É pra poucos.
Todos podem…poucos são!

“Sê fiel até a morte, e Eu te darei a coroa da vida!” – Ap 2:10c

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Elmo do Couto de Oliveira