“Eu ando com pressa…”


Voltando da faculdade depois de um dia inteiro de aulas, da manhã até a noite, segurando minha mala pesada, olhando para o céu já escuro, para as pessoas dentro do ônibus, para o mundo fora da janela gotejada pela chuva… Comecei a pensar. Temos a eternidade dentro de nós e nos distraímos com coisas tão efêmeras! Vivemos como se a morte nunca fosse chegar e morremos como se a vida nunca tivesse chegado. Somos tão grandes mas vivemos como se fôssemos tão pequenos. Acordamos todos os dias esperando o amanhã para tomarmos decisões urgentes. Afinal, o trânsito hoje estava terrível, o banco com filas imensas e a faculdade terminou tarde demais. Quando o amanhã chega e se torna o “hoje”, outras urgências nos distraem e o dia passa como se fosse um segundo. E o tempo passa sem que ninguém perceba, levando com ele oportunidades, levando com ele a vida. E o presente, que deveria ser uma dádiva de valor inestimável, torna-se o pior de nossos maiores desperdícios. Até que um dia o amanhã não exista mais e o hoje seja nosso último dia, procrastinaremos, adiando a vida, adiando tudo. Com tanta pressa, a eternidade é algo que só vemos em conto de fadas… Pensar na eternidade é desperdício para quem está tão ocupado com seu dia-a-dia agitado.

Mas… E se hoje fosse seu último dia? E se você soubesse que em poucas horas você deixaria esse mundo? E se? E se? E então? O que você deixou? Qual seu legado? Qual sua herança? Para quem você doou seu tempo? Para um desejo imenso de ser o primeiro em tudo que faz? Para quem você guardou seu amor? Ou você sequer o guardou? Para onde pretende levar suas riquezas? E o seu desejo imenso de curtir a vida? Você realmente viveu intensamente ou viveu frivolamente? O que dirão no seu enterro? Você tocou o céu ou nunca o deixou se aproximar de seu coração? Não. Estamos ocupados demais com tantas notificações em nossos smartphones. Pressa. Estamos com pressa. Já é metade do ano. O ano passou rápido. E a vida também. É…

Nosso coração pode abrigar o céu se assim decidirmos. Um dia, eu sussurrei para Deus que destinaria cada segundo meu a viver por algo maior. Decidi doar cada fôlego meu, cada traçado do meu destino, cada sonho, cada vontade, cada dia, cada segundo… Tudo que tenho e tudo que sou… Só pra Ele. “Louca! Vai perder a sua vida”, ouvi. Mas, sinceramente… Não perdi. Muito pelo contrário, novos horizontes muito mais coloridos se abriram diante de mim. Orei, com um pouco de medo, mas sabendo que a vontade de Deus não me levaria onde Sua graça não me sustentaria: “Faz em mim o Teu querer. Leva-me aonde desejas me levar, toma os meus melhores anos e não só os meus últimos dias. Eu não quero esperar uma vida toda para perceber que nada faz sentido se eu estiver longe da Tua perfeita vontade e do Teu perfeito amor… A minha vida é Sua agora.” A vida, então, coloriu-se mesmo nos dias mais cinzas e passou a abrigar dentro de si muitas outras vidas. Viver não faz sentido se não for viver pra Ele. Viver não vale a pena se não for pra Ele. E viver por Ele é viver por outros. É Nele que encontramos plenitude, é Nele que encontramos a verdadeira vida – do tamanho que ela realmente deve ser. Quando eu estiver vivendo meu último dia, vou então saber que vivi tudo que eu tinha para ser vivido – e talvez até um pouco mais. Eu quero o extraordinário!

Sâmela Ribeiro
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Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.

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