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Fake news, boatos e graça

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Meses atrás, pouco antes das eleições, o facebook divulgou uma nota anunciando novas medidas para combater fake news — as notícias falsas. As fake news são tão perigosas que, por causa delas, governos podem ser abalados, doenças quase erradicadas podem voltar a ser epidemias e famílias inteiras podem ser destruídas. Parece óbvio que boatos mentirosos são extremamente perigosos, no entanto continuamos agindo como meninos e acreditando em tudo que nos é apresentado sem o mínimo de senso crítico. Por quê? Talvez porque esquecemos da premissa básica da internet: nem tudo que tá na rede é verdade.

A vida funciona na mesma dinâmica, mas algumas pessoas parecem não compreender isso. Maldade ou inocência? Quero, com todo meu coração, acreditar na segunda opção, embora ela não seja motivo de orgulho em hipótese alguma. Mas, infelizmente, a primeira é uma causa muito mais provável. Chegamos a um ponto onde a consciência de alguns está inerte, e lamento ter de dizer isso desse tempo.

O engraçado é que, há 2000 anos, o homem que dividiu a história da humanidade em antes e depois da sua existência já debatia sobre isso. É só pensar: sabe a passagem bíblica onde ele condena os fariseus por prestarem atenção no cisco do olho do vizinho ao invés de tirar a trave do seu próprio? Então. Pense nas inúmeras possibilidades da crítica que ele estava fazendo. Uma delas acredito que seja a respeito daqueles que se deleitam em espalhar boatos mentirosos sobre seu próximo. Esse é um hábito terrível, mas que geralmente se camufla numa falsa preocupação pela conduta moral do outro. Na verdade, o fofoqueiro pouco se importa com isso. O que ele quer é tirar a atenção de si mesmo e de suas mazelas. Ele não passa de um sepulcro caiado, outra referência a mais uma dura crítica de Jesus aos fariseus.

Jesus chamou os fariseus de sepulcros caiados pois estes se preocupavam demasiadamente em passar uma imagem de santidade quando, na verdade, seu interior era podre e sem vida. Haverá vida em um sepulcro? Então por que caiar um túmulo? Para melhorar sua imagem exterior. Isso, no entanto, não muda o que há dentro dele: MORTE. Apenas o torna agradável aos olhos.

Muitas pessoas são sepulcros caiados. Escondem demônios internos terríveis atrás de uma imagem impecável muito bem construída e sustentada às custas do que for. Gastam mais tempo tentando convencer os outros da sua perfeição (que, na verdade, não existe) do que trabalhando em suas mazelas interiores. E, para tirar a atenção de si, saem por aí apontando ciscos nos olhos dos outros, quando os seus têm traves enormes que os impedem de ver bem.

Se você se deleita em espalhar boatos, falar de pessoas que você mal conhece, tirar conclusões precipitadas ou aumentar histórias que você “ouviu” sobre alguém, sinto informar mas você é o sepulcro caiado de que Jesus falava. Você tem morte dentro de si e perde tempo demais vigiando a vida alheia, quando deveria cuidar da sua alma. Quem cuida demais da vida dos outros não tem tempo de cuidar de si, porque cuidar de si demanda tempo e dedicação. Ser um ser humano admirável não vem de graça: há que se trabalhar muito em si mesmo. Deve ser por isso que quem adora uma fofoquinha nunca será grande, será sempre medíocre, incapaz de construir algo relevante, sempre observando aqueles que erram sim mas trabalham duro em seu caráter para ser diferente num mundo onde todos são iguais.

Tenho aprendido que é melhor ser honesta do que perfeita. Eu preciso de graça todos os dias da minha vida e isso me traz ao início de tudo — a dependência do meu Pai. E nessa jornada eu vou vivendo mais leve, aprendendo a me perdoar e ser minha melhor versão todos os dias. Não me preocupo em fiscalizar a vida de ninguém, porque fazer a limpeza da minha alma já me consome muito tempo. Eu quero ser tão melhor amanhã do que eu sou hoje! É por isso que dependo da graça de Deus todos os dias da minha vida. Sozinha é difícil demais.

Mas sobre essa conversa toda, para comigo pra pensar um pouco. E se eu te disser que é verdade, que tudo o que você faz volta pra você, que o mundo gira, que o que se planta se colhe… fala pra mim: isso te conforta ou te apavora?