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Fazendo o serviço sujo

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A iminência da chegada de um convidado em nossa casa faz com que tomemos algumas atitudes e providências prévias à sua estadia. Se for este um convidado especial ou sua primeira vez em nossa residência, então, nem se fala. Apegando-se, sobretudo, ao ditado de que “a primeira impressão é a que fica”, o ambiente a ser encontrado, o serviço e alimentação oferecidos, as acomodações e afins, devem transmitir a sensação de que o mesmo é muito bem vindo ao recinto.

Uma boa refeição é preparada, o local é devidamente limpo, as coisas fora do lugar e da ordem desaparecem, troca-se as cortinas e/ou o forro do sofá e tudo é preparado para aquela ocasião. O convidado chega, sente-se à vontade depois de um tempo, bate um bom papo, come uma deliciosa refeição, fica mais um pouco e vai embora com uma maravilhosa impressão. O plano dera certo!

Nossa caminhada com Deus é um pouco diferente disso; aliás, muito diferente. Quando vemos Jesus falando “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo.”- (Ap3:20), temos de entender que, pode até ser a Sua primeira vez “na casa”, mas, Ele a CONHECE perfeitamente; conhece e sabe o que encontrar dentro. Sabe que tipo de alimento costumeiramente é servido ali, sabe das coisas desorganizações que encontrará (ainda que estas estejam disfarçadas), sabe de cada sujeira, sabe também do esforço de alguns pra tentar deixar a casa em bom estado, porém, sem Ele, será SEMPRE uma casa em desordem. Somos uma casa bagunçada e suja. Então, ANTES de cear conosco, Ele vai limpar a casa; esteja certo disso.

Existem sujeiras à vista de todos – aquelas que nem temos vergonha de mostra-las e ainda nos vangloriamos de tê-las; outras ocultas às visitas – somente nós sabemos onde estão escondidas; as imperceptíveis até a nós mesmos – já nos acostumamos tanto com elas que nem mais a enxergamos como sujeiras; as de estimação – não queremos nos desfazer delas; as grandes, as pequenas, as invisíveis, as “moradoras” e as “visitantes” por temporadas – estas chegam em determinadas circunstâncias da nossa vida; as que empurramos pra debaixo do tapete, por medo, vergonha, não querer se expor ou pra disfarças que a casa está limpa. O problema é que o Convidado sabe exatamente onde encontrar cada uma, até as ocultas.

Ao SER CONVIDADO a entrar, o Hospede primeiramente abre as janelas pra luz entrar, dissipando toda escuridão e aí sim, começa a limpeza.

Creio que o principal problema Dele entrar está em “Se alguém ouvir a minha voz…”. Já repararam que quando está muito barulho na casa, seja pelo falatório, a música alta, o alvoroço, não se ouve alguém chamando? Já repararam que quando existe muito barulho, pra você se comunicar adequadamente tem de aumentar o volume da sua voz e, consequentemente, não ouve a visita chamar? Os muitos ruídos nos ensurdecem.

Algo que não se pode deixar passar batido é que, uma vez aberta a porta, É NECESSÁRIO deixa-Lo limpar e organizar TODA a casa; cada cômodo, cada ambiente, cada espacinho privado (inclusive aqueles onde PENSAMOS SABER que conseguimos nós mesmos organizar).

Minha mãe limpa a casa todos os dias; varre, passa pano, tira poeira dos móveis, limpa o quintal, etc. Eu não moro na beira da estrada, onde passa carro toda hora; nem minha rua é de terra batida, onde pode levantar muita poeira. Mas, ainda sim, TODOS os dias a casa amanhece com sujeira e se quisermos uma casa limpa, ela tem de ser limpa TODOS os dias.

Existem visitas que convidamos pra vir a nossa casa; outras aparecem de surpresa. Não queremos ter a surpresa de ter a casa suja quando INESPERADAMENTE (Mt 24:36,42-44 /25:1-13) a visita aparecer. Ainda que ela tenha prometido vir um dia (Jo 14:1-3/ 1 Ts 4:16-18, Hb 9:28/ Lc 21:27), não sabemos quando.

Agora Ele bate pra entrar. Chegará o dia em que a Visita virá de surpresa.
Tua casa tá limpa?
Não? Que tal deixa-Lo fazer o serviço sujo?