Fui convocado pra lutar – II


 

 

Foi muito bom e engraçada a noite com vc Dú! Há tempos q ñ ria tanto! =**

De: Mila (8855-xxxx)

7H da manhã do dia 12 de Outubro 2010

 

Leia a a partte 01


Esse dia pra mim foi o mais estressante do ano, pois o tenente Fontes pediu que todos nós corrêssemos no campo do batalhão até ficar apenas um soldado correndo, sendo que o primeiro que saísse lavaria as roupas durante 15 dias dos demais soldados que continuassem correndo e assim de forma progressiva até restar apenas um soldado “de pé” que não lavaria a roupa de ninguém.

– Senhores, esse é um teste de resistência que ajudará vocês a trabalhar em equipe na missão HOPE. Vocês podem conversar com os demais soldados enquanto correm, porém o diaálogo atrapalhará o desempenho  individual!

Que ideia furada é essa!(Eu pensava enquanto corria)

Durante a corrida ninguém quis conversar, apenas resenhas e piadas eram compartilhadas. Olhares cruzam o silêncio das almas que não queriam lavar as cuecas sujas dos demais soldados e tão pouco as meias fedorentas.

Após 50 minutos de corrida, um soldado cai no chão. Desmaia, pois o dia estava muito quente. 5 soldados param e vão ajudá-lo.

– Tem uma equipe médica e eles não perceberam!(Sussurrava um dos soldados)

Eu continuava correndo.

 

30 minutos depois um soldado grita: Quero ver quem vai lavar as minhas meias de chulé!

Outro soldado pára de correr com uma crise de riso.

 

3 horas depois ficam apenas dois soldados que decidem parar juntos de correr.

O Tenente fontes percebendo que os dois últimos soldados pararam de correr juntos os questionou: O que aconteceu senhores?

– Senhor! Depois que ficamos nos dois correndo percebemos que poderíamos alternar o dia da lavagem de nossas roupas, ou até mesmo cada um lavar a própria roupa.

Quando o soldado Davi falou aquilo eu fiquei pasmado com tamanha sabedoria que todos poderia ter feito logo no inicio da disputa.

O tenente fontes pediu que todos fizessem um circulo em volta dele e nos informou algumas coisas.

1- O primeiro soldado que caiu foi o Sargento Almeida que infiltrei no meio de vocês pra perceber o quanto vocês seriam altruístas em relação a um soldado da equipe. Apenas 5 soldados fizeram isso. Essa foi uma demonstração clara de que a maioria não se importa muito com seu colega/amigo/companheiro que está ao seu lado e que muitas vezes precisa de um auxilio;

2- Todos poderiam ter entrando em um acordo e pararem juntos e assim cada um lavaria a sua própria roupa. Daniel e Salomão fizeram isso após ter suas energias esgotadas. Quantas vezes vocês querem ganhar apenas e deixam de trabalhar em equipe? Quantas vezes não dividimos as funções, e esperamos que alguém sucumba e desfaleça? Seria necessário Daniel ou Salomão desfalecerem pra perceberem isso?

Eu nunca mais fui o mesmo na guerra e no serviço militar!

No dia seguinte aprendemos mais sobre a guerra e começamos a trabalhar como equipe, pois um reino que luta contra se não pode resistir.

Após 5 dias de intenso treinamento militar o tenente Fontes avisou que na manhã do dia seguinte iríamos para o Oriente Médio lutar na missão HOPE.

Eu tinha mais de 20 Kg de equipamento numa espécie de armadura. Não gostava daquele casa de tartaruga, pois além de ser pesada era muito quente. Estava usando um colete com:

·Uma mochila com 2 Lts de água;

·Duas granadas;

·Um capacete;

·Uma metralhadora e uma pistola automática;

·Uma faca;

·Um colete a prova de balas de calibres pesados;

·E um coração com medo da guerra.

 

 

Quando eu fui convocado pra lutar fiquei com medo, pois a guerra é muito dura, difícil e cansativa para um soldado. Ao entrar naquele helicóptero e ouvir o som do motor ligando comecei a refletir sobre algumas coisas.

Todos somos soldados convidados a lutar nesta vida. Lutamos contra nossos medos que sempre tentam nos paralisar e nos fazer desistir. Medo do que vai acontecer e medo da repercussão do que aconteceu em nossas vidas. Quantas vezes os soldados de um mesmo exército lutam internamente e enfraquecem sua tropa e dessa forma gastam suas energias de forma incorreta? Em vários lugares por onde tive relacionamentos com pessoas, percebi que elas se "matavam" por algo supérfulo.

 

A água na mochila era pra nos refrigerar em momentos de sede. Quando eu precisasse me hidratar, eu apenas sugaria a água por uma mangueira a qual estava próxima a minha boca. A água me daria vida, pois somos constituidos de muita água.

O Colete me protegeria dos ataques inimigos mais pesados e o capacete evitaria que meu cérebro fosse atingido. O tenente Fontes me disse que cada item que eu carregava era fundamental pro meu sucesso na guerra contra as forças BAD.

– Filho! Sua luta não será contra as pessoas, mas contra as forças BAD! – Disse o tenente Fontes.

– Senhor, mas como posso lutar contra as forças e não contra as pessoas?

– As pessoas são frutos de uma construção sócio-histórica e precisam ser restauradas. Você está numa missão de restauração de pessoas. A missão HOPE mudará as pessoas.

Essas foram as ultimas palavras do tenente pra mim antes de partir para o Oriente Médio. Chegamos na base e encontramos os seguintes dados:

·Inúmeros soldados estavam feridos na guerra;

·Poucos soldados estavam no campo de batalha;

·Muitos soldados estavam em momentos de entretenimento enquanto outros morriam no campo sem ajuda;

·Alguns soldados estavam atacando seus aliados de guerra;

·Poucos soldados permaneciam firmes e constantes na guerra;

·Poucas pessoas mandavam ajuda para soldados.

 

Em meio a tantos dados drásticos, percebi que a nossa presença ali era necessária para a missão HOPE, visto que os soldados que ainda estavam lutando eram os ultimos da missão LOVE, onde muitos esfriaram o amor o qual era a alicerce pra lutar, melhor dizendo desanimaram durante a guerra.

 

(CONTINUA NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA)

Gustavo Pestana
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Sou natural de Ilhéus-Ba, formado em psicologia e graduando em teologia. Membro da igreja batista da Urbis na minha cidade. Amo escrever e compartilhar o amor d Deus. No momento estou trabalhando com missões urbanas. Também trabalho em dois projetos sociais: Um que com crianças com câncer e um com crianças carentes.

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