Não se case para ser feliz


OK, eu confesso, eu já imaginei muito como seria o momento em que eu conheceria o cara da minha vida, e tudo bem por isso. Deus ama o casamento, e, se você não sabia disso, vou explicar em poucas palavras o porquê. O casamento é a figura do relacionamento entre Jesus Cristo e a igreja. Ele a amou tanto que nem mesmo a morte foi tão grande sacrifício. A Bíblia começa e termina com um casamento, em Gênesis com Adão e Eva, e em Apocalipse com as bodas do Cordeiro. Nada disso foi ocasional. Ao longo dela, inúmeras alianças foram feitas entre Deus e o homem considerando os laços do matrimônio e seus frutos — as gerações que estavam por vir. Aparentemente, Deus ama árvores genealógicas. Vemos várias delas nas páginas da Bíblia (e você pula todas elas que eu sei). Mas elas não estão lá por acaso. Elas estão lá para lembrar que as alianças que Deus estabelece são honradas, mesmo que muito tempo, muito mesmo, passe. A Bíblia diz que bênção do Céu é perpetuada por até 1000 gerações. Você consegue imaginar o quão profundo isso é?

Deus realmente ama o casamento e ele nunca deixou de amar. Nós é que, às vezes, perdemos a fé nele. Inúmeras vezes eu tive que lembrar a mim mesma que, apesar de tudo, apesar do índice de divórcio ter crescido cerca de 160% na última década, ainda é possível dar certo. Apesar das tantas histórias falidas de casais que aparentemente se amavam tanto, não é o fim da instituição “matrimônio”. Apesar de tantos “Mas Deus disse que era você” chegarem ao fim drasticamente, não é hora de deixar de acreditar. Acho que nós precisamos parar de olhar para esse plano natural e começar a colocar mais os olhos naquele que inventou essa história toda de gostar tanto de famílias. Mas não estamos aqui para falar sobre as histórias que tiveram um fim dramático e as diversas incoerências nelas. Isso é assunto pra outra pauta. Estamos aqui para falar do momento em que deixamos de ver o casamento da forma que Deus vê. E eu aposto que muita gente já deixou de acreditar no casamento faz tempo, só nunca assumiu.

A vida é sim cheia dos seus altos e baixos e a gente precisa ter uma baita consciência disso para não fazer besteira. Talvez todos nós já tenhamos passado pela fase da incredulidade ou da obsessão, dois extremos perigosíssimos. Fique longe dos extremos. Se você é obcecado por encontrar alguém e vive morrendo de pressa, tudo o que vai conseguir é se machucar cada vez mais ou acabar se equivocando de vez. Eu não estou falando de algo incomum, você conhece essa história. “Não sinto que devo ficar com ele, mas eu já tenho 35 anos, não sei se consigo encontrar outra pessoa…” ou “Nosso relacionamento não vai bem, mas eu preciso casar logo, quero ter filhos, quero ter uma família!” ou ainda “Eu não gosto tanto dele assim, mas gosto menos ainda de ficar sozinha…”. Pior ainda é quando você faz sua vida girar em torno disso e não respeita suas fases. Não adianta ser obcecado por encontrar alguém quando não se tem estrutura para isso. E desrespeitar o tempo pode ter consequências graves. Há um tempo para todas as coisas, inclusive para entrar de cabeça em relacionamentos sérios. Não tenha pressa pra esse tipo de coisa. Mas, se você está no outro extremo, completamente desacreditado que casamento pode dar certo, talvez você precise ver as coisas por outro ponto.

A sociedade criou a ideia de que as pessoas devem se casar para serem felizes, o que é uma ideia absolutamente miserável. Esse tipo de coisa só funciona no cinema, onde os roteiros podem ser manipulados, não na vida real. Colocar um fardo assim em uma outra pessoa não só é errado como é puro egoísmo, e me espanta a quantidade de gente que inconscientemente acredita nessa conversa fiada. Casamento não é para você ser feliz a qualquer custo, não, meu amigo. Trata-se da primeira pessoa do plural, não do singular. “Nós”, não “eu”. É outro nível de sacrifício, humildade, força, perdão e, sobretudo, amor. É tornar-se melhor, e, tornando-se melhor tornamo-nos mais felizes. Uma felicidade barata, que vem de conseguir tudo o que se quer, não vale a pena. A autêntica felicidade independe das circunstâncias. Mas uma coisa é verdade: não nos casamos para sermos felizes. Casamos porque há um propósito nobre no matrimônio. Você e a pessoa para quem você disser “eu aceito” podem (e devem) formar um grande “time de dois” em uma história muito maior do que você imagina. Não subestime o propósito do casamento. Deus não o protegeria tanto se ele não fosse importante. Não trate como desimportante o que ele já decretou importante. Como tudo na vida, não é tarefa fácil, mas como diria Prince Charming na primeira temporada de OUaT:

“O amor verdadeiro não é fácil, mas você deve lutar por ele.”

Às vezes, a gente aprende boas lições com o Netflix.

Sâmela Ribeiro
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Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.

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