O jogo do amor


Eu acho que não é assim tão complicado quanto parece. Pelo menos, não deveria ser. Também não é fácil, nem deveria ser. É assim aquele paradoxo que cabe a você descobrir. E cada um trilha a sua jornada. O amor é complexidade e simplicidade na medida certa e, acredite, algumas pessoas levaram uma vida para descobrir isso. Não espere fórmulas prontas, listas de “o que fazer” e “o que não fazer”, “5 passos para…”, “pode” e “não pode”, “devo” e “não devo”. Não é assim. É uma jornada. E a graça é desvendá-la.

Às vezes, eu tenho a impressão – a ligeira impressão – de que algumas pessoas esperam que a vida seja uma receita de bolo, que basta seguir uns passinhos e, voilá, pronto, não tem como dar errado. Cá entre nós, deixa eu te contar uma coisa. Não importa o quanto a ciência avance, as teorias se multipliquem, os livros sejam escritos — a vida é um mistério. Cada um escreve uma história diferente. Essa jornada é sua. Você precisa abraçar, você precisa viver. Se você pensar bem, não é da morte que você tem medo. É de ter que encará-la sem ter vivido o suficiente. Alguns vão chegar ao fim da vida e se dar conta em seu leito de morte que, na verdade, nunca viveram. Atropelaram a existência numa vida corrida. Perderam-se no caminho. Não faça isso.

Identificar o amor quando ele bate a sua porta faz parte dessa maravilhosa jornada que é a vida. Se você continuar preso nas fórmulas prontas, temo que você nunca consiga reconhecê-lo. Veja bem, eu nunca defendi a inconsequência. Mas eu vivo por princípios. E princípios são tão infinitos na sua natureza que não lhes convêm colocar bordas. Não existe um “até que ponto é certo…”, existe um coração totalmente disposto a fazer a coisa certa por algo muito maior, sem bordas para se margear. A coisa certa não é uma caixa fechada. É um mundo de possibilidades que se abre àquele cujo coração está conectado ao Criador do universo. Não coloque Deus em padrões que você inventou. Ele criou o jogo, ele vai seguir as próprias regras.

Dê a você mesmo uma chance. Pare de dizer a si mesmo “que não há ninguém no mundo” pra você, que “vai ficar com esse mesmo” porque já está velha, que “não sabe mais” se acredita no amor. Pare de achar que Deus está te dizendo “nãos” quando quem vive dizendo não a si mesmo é você. O amor existe você acreditando nele ou não. Mas ele não chega para quem não tem fé, também não chega na hora que você quer. Ele não chega por pressão, tampouco chega por pressa. Não fica para quem perde tempo demais, nem fica para quem se fecha. Não fica para quem coloca pontos finais antes da frase terminar só por medo do fim que vai dar. O amor é um imenso desconhecido onde não há certezas, só riscos. É mais difícil do que qualquer coisa no mundo. Mas é igualmente recompensador.

A gente, na verdade, não deveria mesmo era fazer tempestade em copo d’água. E, em algum ponto da vida, todos nós já fizemos, por miríades de motivos. E o pior do desespero é que ele nos tira a capacidade de enxergar as coisas como elas são. Vemos tudo de uma ótica irreal. É como quando a gente estava tão nervoso para o vestibular que acabávamos errando as coisas mais bobas só por causa daquela famosa auto-cobrança “eu tenho que passar, eu tenho que passar, eu tenho que passar”. Pense bem. Talvez tudo o que você precisa é olhar para o lado e dar uma chance a você mesmo. O amor é uma lição que a gente leva para casa. Não queira aprender em um dia o que se leva anos para aprender. Para os erros, há graça. Para trilhar caminhos melhores, há sabedoria. Não diga que está guardando o coração quando está, na verdade, o escondendo. Não deixe que o medo de errar o impeça de jogar. E não entre no jogo se não for pra ganhar.

Sâmela Ribeiro
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Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.

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