O principal nem sempre é o essencial

Mundo agitado, agenda lotada, uma correria desmedida, tempo apenas pra engolir a comida, o trânsito que mata a paciência de qualquer monge tibetano, enfim, as “24h” do dia parecem precisar de mais horas pra fazermos tudo o que há pendente. Pra tentar amenizar tudo isso e tirar o stress do cotidiano, milhares de app de joguinhos nos celulares ajudam. Ou pode ser aquela revistinha de caça-palavras sacadas num momento oportuno. Quem sabe, as múltiplas redes sociais nos fazem entrar num universo paralelo chamado: distração.

Acerca disso, o dicionário diz ser a falta de concentração dos sentidos no que se passa à volta; desatenção. Resultado da desatenção; erro, engano, equívoco.

A verdade é que, ao mesmo tempo em que distrai, retirando-nos o sobrepeso do stress, retira consigo a atenção do entorno. Distração em sala de aula pode custar caro no momento da prova, por exemplo. Já é sabido de relatados de um número incontável de casos de acidentes com pessoas distraídas no celular (seja no volante, ao atravessar uma rua, cair num buraco andando, assaltos, etc.). Pessoas que se desconectam do planeta em frente à telinha num encontro com amigos, com o esposo (a), com os filhos e por aí vai.

A distração te tira o foco do que é importante naquele momento. Iria até mais fundo: a distração faz com que deixemos de fazer o essencial pra fazermos o importante (importante pra gente naquela hora – na nossa míope visão).

Quantas crianças não sentem a falta de brincar com o pai, a mãe e estes estão grudados ou no celular, ou no trabalho, ou nos afazeres de casa (não que essas coisas não sejam importantes), ou na tv, ou com os amigos, ou com o mundo…menos com elas?
Quantos órfãos de pais presentes não há, que precisam muito mais do que sua presença; precisam da sua atenção? Distração das funções de pai e mãe.
Quantos namoros, noivados, casamentos não vão se deteriorando por conta de que, simplesmente, tudo parece ter mais importância de que o tempo de qualidade com eles?
Em todos esses casos, tempo de educação, de companhia, de atenção, de amor. Não tempo gasto com eles, mas, tempo investido. Quem sabe, muitos não precisem dos seus presentes; precisam de quem o está dando.

A distração (seja na hora da instrução ou da ordem) gera desobediência posteriormente; sobretudo, quando ela se junta com rebeldia, curiosidade, motivações erradas, desejo pelo poder, etc. Uma “cortina de fumaça” em que não conseguimos enxergar um palmo à frente do nosso nariz.

Alguém certa vez se distraiu num lindo ambiente; numa atmosfera celestial. A ordem já havia sido dada acerca de algo (Gn 2:15-17), mas, tiraram o foco de Quem estava dando a ordem e preferiram se distrair na desobediência, deixando-se seguir por outros conselhos de má companhia (Gn 3:4-7).

O “passa tempo” de Adão era passar o tempo com Deus. Não era um encontro pra reclamar, pra pedir, pra murmurar. Era um tempo pra estar com Ele e não querer algo Dele. Não era um tempo com hora pra acabar, um tempo cronometrado. Foi assim no começo de tudo até que o homem se afastou da comunhão de Deus, numa distração. Os olhos se abrem ao mal e o casal passa a enxergar suas diferenças corporais, deixando de ver o que os unia: a pureza divina. De lá pra cá, muitas distrações nos foram acrescentadas. Em muitos casos, nada (ou quase nada) mudou. Fazemos muita coisa, mas, nada do que Ele mandou.

Creio que o Pai queira resgatar esse ambiente, essa atmosfera celestial novamente; no nosso quarto, na nossa intimidade. E é exatamente isso que se precisa ter com o Pai…intimidade. Nós seremos nos nossos relacionamentos, o reflexo que somos com Deus (1 Jo 4:20).

Quem sabe, hoje em nós não existam “Édens maculados” a serem resgatados.
Quem sabe, hoje muito mais do que o seu “Amém”, Ele não queira ouvir “Pai, me ajuda!”
Será que não estamos distraídos com as prioridades erradas?

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Elmo do Couto de Oliveira