O que fazer quando não se sabe o que fazer


Eu tomei uma decisão difícil há algum tempo atrás. Foi, talvez, uma das decisões mais doloridas de se tomar. Eu rompi com um ciclo não exatamente porque eu queria, mas porque eu sentia que era o que precisava ser feito. Resisti muito, mas tomei coragem, frente a muito criticismo. Mas a bagunça lá de fora não importava muito. Quanto mais eu me aproximava da hora da decisão, mas eu sentia uma profunda paz no meu coração.

É exatamente aí que eu quero chegar. Às vezes, a gente acha que a paz do lado de fora é determinante pra que a gente decida as coisas. Mas a verdade é muitas das maiores decisões da nossa vida não esperam o mar se acalmar. Elas pedem que a gente se posicione sem tempo de esperar o mau tempo passar. Às vezes, não dá tempo de ler todos os livros do mundo sobre o assunto “X”, nem de fazer uma pesquisa intensa sobre índices de risco. Às vezes, a gente precisa colocar o pé primeiro e acreditar que Deus vai colocar o chão.

Eu não estou defendendo a inconsequência e a falta de planejamento. Não gosto muito dessa filosofia de quem vive tomando decisões erradas e não sai de um ciclo vicioso de dependência de obras miraculosas pra consertar seus erros bobos. Estou falando que muitos de nós estamos naquele caminho do “eu estou fazendo tudo certo”, mas, ainda assim, temos que tomar decisões de “tudo ou nada”. É o alto risco. É o desafio iminente. Não se trata mais de escolher entre o certo e errado. Chegamos em níveis maiores, a dúvida é muito mais assustadora: o bom ou o melhor? E o que é o bom? E o que é o melhor? O que caracteriza cada um deles? Como saber o que me espera lá na frente?

A verdade é que nós não sabemos o que nos espera lá na frente. É o mistério que vai trabalhar a nossa fé. No calor da decisão, nosso primeiro contato deve ser com o Céu. O mundo grita suas opinião a plenos pulmões, mas Deus sussurra nos pequenos detalhes. Você não pode ouvir a voz de Deus querendo agradar a todo mundo. A voz Dele pode desagradar muita gente. Mas, seja como for, É A VOZ DE DEUS. E ela vem para limpar a nossa alma da bagunça do mundo. Ela vem pra trazer uma paz que ultrapassa, transcende e excede o entendimento comum. Ela vem para colocar em ordem a casa. Ela vem pra dizer: você pensa que eu estou na placidez das águas, mas eu estou mesmo é na tempestade. Você só precisa calar todo o resto e me ouvir.

Jesus havia mandado os seus discípulos para outra margem e disse que os encontraria depois. Na mais alta madrugada, ele aparece caminhando sobre as águas, e contam as escrituras que um vento forte batia contra o barco naquele momento. Ele não apareceu na calmaria. Ele não apareceu envolto em luz e exércitos de anjos. Ele apareceu em uma situação completamente desfavorável. no escuro da noite, quebrando toda a expectativa de como o filho de Deus “deveria” aparecer. Todo estereótipo fora quebrado naquele momento. Jesus era especialista nisso. Ele não seguia as regras do esperado. Ele trabalhava em outro nível.

Assim que Jesus entrou no barco, o vento CESSOU. Fato é que o paradoxo é justamente esse, ele surge em tempestade e ele mesmo coloca um fim nela — mas só depois que você aprender a lição. Veja, a sua vida é feita de ciclos, e não é sempre que os fins são o que realmente importa. Talvez seja o processo que você precise abraçar. Há uma lição que precisa ser aprendida nele. E, por trás de tudo isso, há um Pai de amor querendo te ensinar a ser a sua melhor versão de si mesmo. Na hora de tomar uma decisão que você se sente incapaz de tomar, lembre-se: nem sempre teremos todas as respostas, mas o que precisamos é confiar naquele que permitiu a tempestade. Ele sabe que você pode aguentar isso. É hora de levantar e lutar. O mestre estende a mão se você afundar.

Sâmela Ribeiro
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Uma quase engenheira civil que ama café, viagens, gatos, violão, Netflix, gente e Jesus - não necessariamente nessa ordem.

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