PÊRA, UVA, MAÇÃ OU SALADA MISTA?

Você é da geração tecnológica ou um pouco mais antiga? Você é dos que vivem presos a um smartphone ou dos que preferem a vida real? Hoje se falar em encontro, já tem que começar fazendo um grupo no “zap”, criar um evento no Face, dar um match, quem sabe até receber umas fotinhos bem comprometedoras e aí sim, é capaz de rolar um encontro, mas quem lembra do tempo em que a vida era real e não virtual, quem lembra que o encontro era marcado as escuras, sem ao menos saber se a pessoa iria ou não, os amigos e desta parte confesso que é a que mais sinto saudades, combinavam de se encontrar na praça, na rua, na porta de uma casa de fliperama, porta de um colégio e no horário certo, banho tomado, bermuda, camiseta e chinelo postos, descíamos para o local, mas deixo-me colocar uma coisa, eu não sou velho não tá gente! Mas esta era uma época bem legal e talvez você esteja lendo isso com aquela cara saudosista, sorriso no canto da boca, mas muitos eu creio, estar lendo isso e pensando, que época era essa, na pré-história? Não, esta não era a idade da pedra, nós simplesmente vivíamos a vida, claro que para os padrões de hoje, era bem loucamente, sem segurança, sem traumas, sem muita “responsabilidade”, coisa do tipo: sem celular, sem internet, sem roupas caras, sem corpos sarados, afinal éramos todos “magrelos” e “magrelas”, sem progressivas, as calças de ambos os sexos eram todas largas, coisa bem esquisita mesmo, olhando hoje, mas o que de fato era legal era nossa interatividade, nossa disposição em fazer certas coisas sem interesse, sem ambições, sem segundas e terceiras intenções, nós queríamos nos divertir e pronto, brincávamos quase todos os dias na rua, coisas do tipo pique-pega, pique-cola, pique-bandeirinha, carniça, pique-alto, garrafão, pique-esconde, quem nunca morou em uma rua onde tinha uma casa abandonada, eu me recordo que na minha rua tinha uma vila e a ultima casa era enorme, havia arvores e completamente escura, abandonada, no pique-esconde corríamos todos pra lá, ali aconteceu de tudo, romances, brigas, quedas, braços quebrados, arranhões, diversas ocorrências que resolvíamos lá fora, em nossas pequenas assembleias, om os envolvidos presentes, um mediador e é claro, a galera botando “pilha” em ambas as partes.

Dentre as brincadeiras, havia a famosa salada mista e se você não brincou das outras que eu citei, procure no Google como funcionavam (risos), mas a salada mista era interessante, porque ali nosso coraçãozinho pulsava forte, era a hora de viver as primeiras experiências sentimentais, quem brincou sabe que a famosa trapaça era quando estava com os olhos tampados por um amigo, ele apertava nosso rosto na hora que era uma garota bonita ou a que estávamos interessados e assim escolhíamos a salada mista, que era um beijo, na verdade um selinho, que nos deixava mais que satisfeitos, já que pera era aperto de mão, uva um abraço, maçã um beijo no rosto, é claro que todos buscavam a pessoa certa ou pelo menos a mais bonita, para exercer seu direito de escolher salada mista. Éramos felizes, despojados, dinâmicos, sem compromisso com nada, não tinha essa de ser rejeitado e ir pra casa chorar, não tinha esta pressão de quando vai casar ou o famoso: ainda está sozinho (a), pior, quando você mulher ouve: tão bonita e ainda está sozinha, cadê os homens desse bairro, dessa igreja? Essa frase mata por dentro, talvez por isso que a bíblia diz que é necessário ser como criança, porque quando falamos de Reino dos Céus, pensamos em anjos, fogo, raios, trovões, seres mirabolantes e de fato tem tudo isto, mas ele se manifesta através de nós, não este nós cheio de compromissos, fazendo dez mil cursos, sem tempo para sorrir, brincar, ser rejeitado e no outro dia estar brincando com a pessoa novamente, ouvir seus defeitos citados por alguém e rir, nós éramos conhecidos pelas nossas características, alias as piores, era o bolão, o magrão, o negão, perna de saracura, ladrão de oxigênio, rabicó, espeto, xuxa, bocão e ninguém se ofendia, talvez tenhamos crescido demais para a pureza, para a simplicidade, assim depositamos em coisas e atividades aquilo que tínhamos sentados numa calçado com os amigos e muitos começam a ir além da salada mista, pensando assim encontra de volta aquela felicidade genuína, que nos fazia correr pra casa para tomar banho, comer algo e voltar, pois não queríamos passar uma hora se quer sem os amigos.

Resultado disto é que paramos de encher as ruas, as praças, as festinhas que só tinham luzes piscando e refrigerante para enchermos os consultórios, com inúmeros problemas psicossomáticos, frutos desta falta de “inocência”, da liberdade que nos fazia no máximo dar uns beijinhos escondidos, onde apenas uma olhada dos nossos pais já nos faziam parar na hora, gerando uma geração onde tudo pode mas que não sabe o que fazer, trocando de curso toda hora, de amigos, de lugares, de casa e de pessoas, pulando de cama em cama, de quarto em quarto, de coração em coração, pois o que se quer muito hoje, amanhã vê que já não serve mais. Sinceramente, volte aos tempos de criança, brinque de pique tá e esteja consigo mesmo, brinque de pique pega e pega um rumo para sua vida, brinque de tudo que você puder, só não brinque com sua vida sentimental e com ela em geral, pois uma má escolha agora pode acabar com muitas coisas belas que poderia viver lá na frente, escolha certo mesmo que esta escolha seja, no momento, escolher ficar só, mesmo que tenha um amigo apertando, dando sinal que é o bonito, a bonita, brinque de pique esconde e se esconda de algumas oportunidades, dê no máximo um aperto de mão, um abraço e quem sabe um beijo no rosto. Sua vida não precisa ser uma salada mista, você não precisa andar por aí cheio de pedaços de outros, portanto o que se deve prezar é a qualidade da espera, escolher esperar brincando com a vida não é esperar, espere com uma outra brincadeira, o pique alto e se mantenha no alto, assim evitará ser “pego” ou “pega” por qualquer um (a)!

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Luciano Pierre dos Santos

Sou Luciano Pierre, casado com Nadjane Rocha, pai de Eloah Rocha, corretor de imóveis, baterista, leitor de livros, jogador de futebol nas horas vagas, alguém que acredita em Deus mais do que em outras coisas, vivendo na busca por Ele, para ser melhor pessoa, marido, pai, para esta sociedade carente de atenção e amor. E-mail: lucinodanad@hotmail.com Instagram: @lucianopierresantos