Pessoas transparentes; pessoas invisíveis

Arru?ma, lava, cozinha, passa

Cuida tão bem do teu filho, da tua filha

Está lá, mas, não é da família; já fazendo até parte da mobilha

Teria passado despercebida se fosse de graça.

Estava ali? Sério? Nem vi!

Passei ao largo, estava apressado

Virou paisagem, assim como num quadro

Deitado, sujo, maltratado, abandonado

Quis ajudar, mas, resisti.

No começo, tudo são flores e parecia ser amor

Dos mimos a declaração apaixonada; para todos se dizia “bem casada”

Mas, com o costume e a rotina, só a enxerga descabelada

Pra ela, nem mais olha; indiferente, lhe causa dor.

Ah, tão bela e graciosa na vida dele apareceu

Da amizade à namorada, noiva, esposa, sempre unidos

E a união de outrora forte, hoje só ouve ruídos

Ouvidos seduzidos, sentimentos distorcidos

O que ele diz, não vale nada, mal chegou e já morreu.

Traídos foram…ele pelos olhos, ela pelos ouvidos

O que só pra ela olhava…O que só dele ouvia

Hoje não há mais beleza que ele admirava e se apaixonava

Hoje não há mais os sons que ela ouvia e se envolvia

De fora, posso perceber sua cegueira

De fora, posso ouvir seus tristes gemidos.

E os pequeninos, o que fizeram desses seres?

Puro, malandro, indefeso, esperto

Espancado, molestado, mimado, encoberto

Mas, Alguém certo dia quis tê-los por perto

Pois, o Reino de Deus é dos que são iguais a eles.

E assim caminha a humanidade (ou boa parte dela) cada vez mais insensíveis

Falsidade no lugar de verdade; sentimentos divisíveis

Usam enquanto precisam; despertando sonhos terríveis

Transformando pessoas reais, em pessoas descartáveis; pessoas invisíveis.

Certas pessoas (estas e muitas outras) possuem um “super poder” absurdo de serem transparentes.

Na verdade, o problema não está na pessoa ignorada; está na que sequer a observa…

…ou pelo menos, deveria!

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Elmo do Couto de Oliveira