Pratos de pimenta

Para o post de hoje, eu convidei a minha amiga e também escritora Thaís Zamba, para trazer um texto sobre os temas do EEE. A Thaís é autora do livro “Feita de Vidro“, que eu super recomendo.

Pratos de pimenta

No restaurante colorido da vida, os sentimentos são servidos num rodízio. Alguns você consegue recusar, outros não. Uns são claros e definidos: A paz é um docinho. A energia para trabalhar e viver é um prato de tempero ideal e sal no ponto. A mágoa é amarga.

Muitos formam misturas boas… Outros fazem uma mistureba enjoada e indigesta. Há alguns que a gente joga pra dentro da alma sem ao menos lembrar da cara do garçom. Quando vê, já era. Já rolou. Outros são recebidos com surpresa e hesitação.

E, no meio disso tudo, há os pratos de pimenta. Carolina reaper, malagueta, Naga viper e outras ardências. São os benditos sentimentos fortes, avassaladores, que sacodem o organismo e o nosso pobre, frágil psicológico. Ninguém sabe, ninguém viu, não se avisa de onde veio, mas… Mas veio. Rapaz, e como veio. Se teve uma coisa que o sentimento fez, foi VIR.

Você foi assaltado por uma fúria cega, se apaixonou irremediavelmente pela pessoa errada, teve um surto de euforia, quis matar alguém. Ah, pimenta. Misturinha de efeitos e desejos que nem sempre podemos satisfazer. Dor para a nossa carne fraca e dependente de Deus.

Posso dar um toque?

Não fique cego pela ardência ao ponto de cuspir. Feche. A. Boquinha.
Você precisa segurar um pouco, digerir o que te chegou aos lábios sem divulgar num outdoor. Nos primeiros segundos de pimenta na boca (e sentimento na alma), bate uma vontade de gritar: “TÁ ARDEEEEEENDO!”. Mas, sério, não faça isso. Segure a onda. Não existe só ardência, existe sabor. Mastigue. Aceite. Leve os sentimentos fortes, em oração, a Quem tem mais força que todos eles.

Agora, mais nada vai arrancar a sensação de você, e ninguém está provando a mesma coisa. Lide com a novidade sozinho, por um tempo. Ou isso, ou receba conselhos teóricos de quem desconhece tuas práticas e manda seguir o coração. Cilada. Conselhos não-ardidos.

Me despeço com a fala de Elisabeth Elliot, muito melhor nas “digestões” do que jamais serei:

“Esperar silenciosamente é a coisa mais difícil de todas. […] Mas as coisas que nós sentimos mais profundamente são aquelas que precisamos aprender a silenciar sobre, pelo menos até que tenhamos falado sobre elas de forma minuciosa com Deus.” (Do livro: Passion and Purity)

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Patrícia Geiger