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Que água é essa nos olhos teus?

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Um dos sons mais emocionantes para os pais é o choro de seu bebê ao nascer. Aquele berro, oriundo de um pulmãozinho frágil (porém, potente), faz com que igualmente os dois adultos, derramem as suas lagrimas naquela sala hiper iluminada e com cheiro cirúrgico. A partir daí, o pequenino ser repetirá esse gesto a cada instante; ora alertando, ora desesperando os pais sobre algum problema e/ou desejo.

Sim, crianças choram em demasia. Quanto mais novas, mais choram. O choro pra elas é uma forma de autodefesa. Já falantes ou não, seja por dor, por fome, saudade dos pais ou outro algo qualquer que as incomodem, elas choram. Assim como os adultos, elas não podem controlar o que produz o choro. A diferença é o que fazer com a experiência pós-choro. Os adultos “tem uma maior capacidade de aprender” com as lagrimas. A vivência, a maturidade ou a repetição do que as causaram, “pode” fazer com que eles estejam mais bem preparados para lidar com a situação, “podendo”, inclusive, tentar não mais derramar uma lagrima sequer pelo problema; isso num cenário perfeito, né?

Curiosa essa água que sai dos nossos olhos…
Pelo mesmo local que saem lágrimas de felicidade, alegria, emoção, algo engraçado, alivio, amor, igualmente também, saem lágrimas de emoções fortes, lamento, pranto, dores físicas (doenças ou enfermidades), dores emocionais (mágoas, saudades, o que nos machucou, nos entristeceu, nos travou, nos paralisou), dores psicológicas (falta de dar e pedir perdão, arrependimento, culpa), etc. Logo, o choro é uma tentativa de fala instintiva causada por uma emoção demasiado intensa que, por ventura, não cabe no organismo. Problemas acontecem (por nossa inteira culpa e escolhas ou por motivos diversos aos quais não escolhemos) e, não podemos evitar (apenas tentar) que as lagrimas caiam, mas, podemos aprender com o seu derramar.

Há pessoas que pranteiam sem nem mesmo derramar uma gota de lagrima. Dói e corrói a alma feito magma por dentro. As lágrimas não derramadas, às vezes, doem mais. O problema é que geralmente elas encontram acalanto em lugares errados: numa garrafa de álcool, num entorpecente, num sexo sem compromisso, numa defraudação com outro coração inocente, num adultério (seja destruindo seu casamento ou o de outrem), na violência doméstica, no culpar a Deus pelos SEUS erros ou as tribulações NORMAIS da vida e por aí vai…
Sendo assim, lagrimas são apenas reflexos do que está no coração, seja estrema felicidade ou estrema tristeza.

Há momentos em que somos tão desconexos (incoerentes), pois, deveríamos prantear e não o fazemos (Ec 3:4). Deveríamos derramar nossas lágrimas por causar corretas (Jn 4) e não o fazemos. Simplesmente porque, nesses casos, O ÚNICO MOTIVO das nossas dores e alegrias está quando olhamos no espelho.
Pessoas que choram de tristeza por coisas erradas, causas erradas, motivos errados, pessoas erradas (relacionamentos que não lhes fizeram ou não lhes fazem bem; pessoas que só as machucaram, as desmereceram, as desvalorizaram). Prantos que deveríamos dar pelos perdidos, pelas cidades, por esse sistema mundial demoníaco ao qual nosso país se encontra e tem atraído cada vez mais corações, inclusive de cristãos.
Momentos, igualmente, em que choramos de alegria por motivos errados, onde (repito) o motivo da minha alegria é: somente “eu”.

Entretanto, há pessoas que choram por causas corretas. Que se consomem pelo aflito, pelo órfão e pela viúva. Que não negociam seu amor pelo Pai, nem muito menos, pelos filhos; mas, ainda sim, por aqueles aos quais o amor de Cristo AINDA não inundou seus corações.

Certas lágrimas matam nossa sede; sede de Deus. Quando somente Ele sabe o que se passa nos chuveiros – onde a água deste se mistura com as lágrimas; do travesseiro – que funcionam como esponjas aparando o pranto. Ai, temos A PLENA CERTEZA DE UMA VERDADE: “O choro pode durar uma noite, mas, a alegria nasce ao romper do dia” (Sl 30:5b).