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Quem anda com você?

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Quantas pessoas seguem você no Instagram? Quantas pessoas são seus “amigos” no Facebook? Alguma dessas pessoas anda com você?

Quantas pessoas você segue no Instagram? De quantas pessoas você é “amigo” no Facebook? Você anda com alguma dessas pessoas?

Me assusta o número de pessoas que acompanham a vida umas das outras. Talvez a questão toda não seja a quantidade, mas sim a intencionalidade desses inúmeros seguidores disfarçados de amigos.

Desse tanto de gente que visualiza o que você faz, quantas delas oram com você? Te ajudam nos momentos de dificuldade? Auxiliam na caminhada? Dão palavras de ânimo quando se trata de “esperar” mais um pouco?

Desse tanto de perfis que você segue…com quantos você ora? Você os ajuda nos momentos de dificuldade? Auxilia na caminhada deles? Você concede palavras de ânimo quando se trata de “esperar” mais um pouco?

Uns dias atrás, ao estudar a Bíblia, me deparei com dois amigos – Amnom e Jonadabe. A história dos dois é contada no livro de II Samuel, no capítulo 13. Eis o que você precisa saber, agora, sobre eles: Amnom era filho do rei Davi (aquele rapaz que venceu Golias, o gigante) e Jonadabe era sobrinho de Davi. Os dois rapazes eram primos e amigos. Se você um dia for ler a história deles, vai se deparar com um pequeno detalhe. Jonadabe é descrito como “muito astuto” (II Samuel 13.3).

Uma pessoa astuta é alguém hábil para fazer coisas ruins, maldades; engana outras pessoas. Antes de continuar com a história…farei mais duas perguntas.

Se pudesse descrever com uma palavra os seus amigos, o que diria?

Se seus amigos pudessem descrever quem você é, com uma palavra, o que diriam?

Voltando aos rapazes…Amnon era apaixonado por uma moça que era difícil dele conseguir (II Samuel 13.1), não entrarei em muitos detalhes sobre o que aconteceu entre eles – isso é assunto para outro momento. Sabendo da paixão de Amnom e dos obstáculos que ele teria que enfrentar para chegar até aonde queria com a moça, Jonadabe faz uma proposta facilitadora para seu amigo (II Samuel 13.5).

Apresentou um atalho para conquistar quem Amnom desejava. Ele sabia exatamente o que fazer e como fazer, afinal, Jonadabe acompanhava de perto a vida de Amnom, andava com ele. E por trás de todas as piadas durante as refeições, as “curtidas”, as cavalgadas, “comentários”, as competições de arco e flecha, e respostas de “stories”, cultivou uma semente de maldade na vida de Amnom. O fim da história foi trágico: vários corações partidos, mortes e uma família destruída.

Ao ler a história toda, talvez você diga que Amnom não era tão bonzinho. Eu nunca disse que ele era. Ele sabia de qual fibra era feito seu caráter, e mesmo assim, ao invés de buscar ajuda em pessoas com melhores qualidades que Jonadabe, fraquejou e ouviu um conselho que o levou a um final ensanguentado e caótico. A própria moça apresentou ao Amnom um outro meio de conseguir o que ele queria (II Samuel 13.12), mas ele estava cego pelos desejos do seu coração e não queria um caminho mais difícil do que fora mostrado por Jonadabe.

Os dois rapazes erraram muito nessa história. Um não soube controlar seus impulsos e alimentou sua alma ferida. O outro, não tinha nada de bom para deixar na vida de outras pessoas, senão a maldade. Essa amizade deixa uma grande lição: às vezes, uma palavra, uma ideia, motivadas pela intenção pecaminosa, pode ocasionar um grande estrago e prejudicar muitas vidas.

Assim como Amnom, com almas feridas e corações desesperados por atenção, permitimos que alguns Jonadabes (mais conhecidos como amigos superficiais) façam morada em nossas vidas. Acostumados com bajulações, elogios sem fim, curtidas a todo instante, mais e mais visualizações, pessoas acompanhando nossas vidas e comentando sobre elas, que mal percebemos o que está por trás de tudo isso. E em alguns momentos, somos os Jonadabes na vida de quem está perto de nós!

Nem todos que seguem você e o que você faz têm olhos bons (Lucas 11.34). Nem todos possuem coisas boas dentro de si para compartilhar (Lucas 6:45), e o anseio desesperado de corações solitários para ter algum tipo de convívio faz com que o apoio seja em lugares errados. Amizades superficiais são oferecidas por aí.

Todos têm desejos, sonhos, ambições e metas de vida. Quantas pessoas que seguem você no Instagram, que são seus “amigos” no Facebook, que andam com você incentivam da maneira correta? Você incentiva de maneira correta quem anda com você?

Somos dotados de poder. Nossa vida não passa despercebida para quem está do nosso lado e quem convive conosco. Como pessoas, temos um poder muito grande de influência, seja ela para o bem ou para o mal.

Nessa caminhada que é a vida, muitas pessoas surgirão no caminho. Mantenha seus olhos naquilo que é essencial, e não se perca. Não se deixe influenciar por essa superficialidade que tem rondado os relacionamentos e causado desequilíbrio nas almas das pessoas. Não permita que sua história de vida tenha o mesmo final que a de Amnom. Não se apoie na imagem de alguém que sequer você conhece. Busque conselhos que sejam agradáveis a Deus e caminhe com pessoas de bom coração.

Saiba quem anda com você e seja o amigo que você gostaria de ter.

 

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração”. (Lucas 6:45)