Simplesmente…SER

A infância é um período interessante. Sobretudo aquela fase aonde queríamos chamar a atenção dos pais ao que estávamos fazendo. Mimados, imaturos, mal acostumados ou tolos (mas, inocentes), tínhamos a necessidade de que olhassem pra nós. Não precisava nem nos pegar no colo; um simples sorriso dos pais ou até uma repreensão, mostrava que eles não se esqueceram de nós.
Nos últimos tempos, estamos sendo acometidos por uma sutil enfermidade chamada: Eu preciso ser notado.

Traço um paralelo do mundo corporativo com a nossa vida social: ao querer se candidatar a uma vaga de emprego, você prepara seu currículo com suas experiências profissionais, sua bagagem de conhecimento adquiridos em cursos e suas pretensões (tanto salariais, como o que busca na respectiva empresa). Na entrevista pode passar um panorama de quem você é e tentar mostrar a melhor impressão possível ao entrevistador/a. Com a nossa vida social hoje em dia é quase idêntica, seja em uma rede social ou pessoalmente, visualizamos nosso objetivo: se mostrar/tornarmo-nos conhecidos/socializar. Mostramos o que gostaríamos de fosse visto e ocultamos o que poderia, assim digamos, “atrapalhar” nosso objetivo, entende?

Acontece que no mundo corporativo ou na vida social, o convívio pessoal mostrará exatamente quem nós somos.  Mas, lembrando que a rotina com alguém (lê-se: um relacionamento a dois) NÃO É a garantia de intimidade. Se uma das partes não está por inteiro com a outra, será apenas e tão somente, duas metades separadas vivendo na mesma cela. Nessa dupla personalidade também tem espaço pra fazer da minha vida (sobretudo virtual) um muro das lamentações, trincheiras com metralhadoras “apontadas pro vazio” (nem tanto, se é que me entende) ou exposição do “produto” como em gôndolas em queima de estoque. Tudo isso expõe um sintoma: Carência e necessidade de aceitação.

Mas, que vontade loura é essa que acomete alguns de nós na ânsia de querer aparecer, se mostrar, ficar conhecido, famoso, influente, ditador de tendências, oráculo das opiniões, sacerdotes dos cliques, das postagens, dos “likes”?
O que outrora fora restringido apenas as telinhas na frente do sofá, nas revistas dos famosos ou nas “high society” das grandes metrópoles, agora está sob o comando dos nossos dedos, numa tela plana que cabe na palma da mão e no bolso da calça, nas calçadas das comunidades virtuais.

Alguns se importam demasiadamente com a opinião alheia. Pessoas que as conhecem pela metade e as julgam como “inteiros defeituosos”. Talvez nem seja SOMENTE culpa desses julgadores, uma vez que muitos vivam uma dicotomia existencial, onde nem eles mesmos se conhecem. Querem mostrar o que (e quem) não são. Criam um personagem que, ao fechar das cortinas do cotidiano, ao apagar das luzes nos palcos virtuais e o dissipar dos ajuntamentos, tiram as maquiagens criadas e as limpam com lágrimas no chuveiro ou no travesseiro. Pobres famosos solitários. Solitários, mesmo tendo uma multidão de seguidores ou “amigos”, diga-se de passagem. Alguns se perdem nas drogas, na depressão, no suicídio, infelizmente.

Uma pergunta: você é reconhecido pelo o que FAZ (agenda), pelo que TEM (bens, influência, status) ou pelo que É (caráter, essência)?
Não devemos depender de ser pelo que fazemos, fazer pelo que temos ou ter pelo que somos.
Penso eu, que devemos buscar ser pelo que somos, simplesmente! O resto é consequência (Mt 6:33).

RELACIONADO
COMPARTILHE ESTE ARTIGO:
 
mm

Elmo do Couto de Oliveira