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Sobre cartas, malas e corações!

2012
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Enquanto organizava alguns materiais pessoais uns dias atrás, encontrei uma pasta repleta de cartas e cartões antigos.  A carta mais velha tinha doze anos – você pode imaginar o estado do papel: amarelado, com manchinhas de mofo e com a tinta da caneta borrada. O conteúdo dela era singelo e tinha sido escrito com carinho.

No entanto, ao reler a carta não senti nada. Na-da! Para dizer a verdade, pensei em como eu pude guardar uma coisa por tanto tempo e que estava ocupando espaço no meu armário. No fim da arrumação, joguei fora a pasta com a maioria dos papéis velhos. E no decorrer do dia fiquei me perguntando o que mais eu guardava comigo que não precisava. Quantas cartas, sentimentos, ideias antiquadas e ultrapassadas eu ainda mantinha escondido?

Ora, se eu não era mais a mesma pessoa, por que acomodar o que não é válido mais? Não digo para não mantermos nossas memórias e lembranças de bons tempos. Não é isso. Precisamos sim manter conosco o que um dia ajudou em nossa construção como pessoas. O segredo é saber a diferença entre o que é essencial e o que está ocupando espaço.

Conhece pessoas que não abrem mão dos antigos sentimentos e continuam se fazendo de vítimas de suas histórias? Seres humanos maravilhosos mas que permanecem na mesma fase de suas vidas há anos? Gente que guarda um trilhão de objetos e caixas velhas porque um dia acham que vão precisar deles? Será que você não é uma dessas pessoas? Será que você não consegue jogar fora o entulho do seu coração porque continua com medo? Medo de se machucar de novo. Medo de ter que se reconstruir. Medo de se reinventar. Medo do novo?

A vida tem dessas coisas: ela continua. Não importa quanta dor você já sentiu, a vida continua. Não interessa se um dia te prometeram que ficariam para sempre e foram embora, a vida continua. Você pode querer chorar todos os dias vendo fotos e lembranças de anos atrás, a vida vai continuar. Porque ela é assim mesmo. Talvez você queira guardar tudo o que já viveu e no decorrer dos momentos, ir acrescentando mais mala. Não acredito que seja uma boa ideia – faz mal para a coluna e para o coração.

A vida continua e as cartas antigas um dia não farão mais sentido.  É bem provável que já não façam mais! Por que manter uma pasta ou mala repleta delas? Hoje é um belo dia para reler cada uma das cartas e (re)avaliar o que é necessário. Faz muito bem manter em ordem quem somos.

É preciso aprender a dizer adeus ao que não nos acrescenta mais. Diga adeus a pessoas, objetos, lembranças e rancores. Alivia sua bagagem, joga fora suas pastas. Abre espaço em sua vida para coisas melhores e novas! Não permita que velhos amores, amigos ou situações te impeçam de viver o extraordinário. Já disse isso algumas vezes aqui, e não custa nada repetir: tem muito ainda para acontecer na sua vida!