Tive fome e não me destes de comer

Eu moro em Curitiba, uma capital onde infelizmente existem muitos mendigos, vagando pelas ruas, revirando lixo em busca de comida, pedindo dinheiro, pedindo ajuda, pedindo comida.


Certa noite eu fui até a padaria perto da minha casa. Ao lado da porta havia um adolescente, um menino de no máximo 15 anos. Ele estava revirando o lixo. Ele olhou para mim e disse: “moça, você pode me comprar um salgado?” Aquilo partiu o meu coração e se tem algo que eu não consigo negar, é comida. Perguntei: “o que você quer? Um pastel?” Ele: “não moça, eu gostaria de um salgadinho. Um Cebolitos. Você pode comprar pra mim e um suco também? Estou com sede.”


Perguntei ao menino se ele não preferia um pão, dizendo-lhe ser mais saudável. Tamanha foi a minha surpresa quando ele me disse que estava com vontade de comer um Cebolitos. “Mas você não pode comprar pra mim?”, ele suplicou com aqueles grandes olhos castanhos. Entrei na padaria e comprei um pacote de Cebolitos e uma lata de suco de uva.


Entreguei à ele e com os olhos cheios de lágrimas ele me respondeu: “muito obrigada moça! Deus te abençoe”! Cheguei em casa e fiquei pensando sobre essa situação. E claramente eu entendi que muitas vezes negamos para alguém o que a pessoa mais quer. O menino me pediu um pacote de salgadinho e eu quis oferecer um pão. Mas tudo o que ele queria era comer um pacote de Cebolitos. Fiquei pensando que muitas vezes quando eu tenho vontade de comer algo, eu simplesmente compro. Mas e alguém que mora na rua e não pode fazer isso? Numa situação tão simples eu entendi que muitas vezes podemos fazer algo muito simples para ver alguém feliz. Que temos a tendência a agir de acordo com o que é melhor para nós, quando na verdade, devemos nos colocar no lugar do outro e entender a necessidade dele. É isso que Jesus quis dizer quando nos disse: ame ao teu próximo como a ti mesmo. (Mateus 22:39).


“Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”

Mateus 25:35-40


Texto original “Moça, você pode me dar um salgado?” publicado por mim na 11ª edição da revista Zenas (Chapecó- SC).


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Patrícia Geiger