Um embarque à Estação Saudade


Certa vez, rui a unha do meu dedo mindinho e acabou que a película ao lado também foi arrancada. Aquela ardência inicial logo deu lugar a um problema que eu, até então, desconhecia: como fazer com essa dor? Suportável, de fato; porém, tudo o que eu fazia com as mãos, tocava justamente naquele ferimento. Ainda que eu colocasse um Band-Aid, não resolveria por completo meu problema. Eu não imaginava que uma coisa tão simples poderia me causar um transtorno (ainda que momentâneo) desses. Às vezes eu nem me lembro de que tenho dedo mindinho, quanto mais que ele poderia me impedir ou atrapalhar de fazer algo. O mesmo acontece quando você machuca alguma outra parte do corpo; tudo encosta ali. Impressionante! Em uma outra escala de importância e gravidade, “nem ligamos” se estamos andando ou pegando, até quebrarmos uma perna ou um braço e esse ato normal (e automático) ficar prejudicado. Assim também com a visão, por exemplo, até precisarmos de óculos. Mas, e aqueles que perderam uma perna, um braço, ficaram cegos ou paralíticos, etc.?

O ser humano, geralmente, tende a dar valor somente quando algo lhe é tirado. Isso pra tudo, desde a mobilidade (e tudo mais referente ao corpo); a convivência com amigos, parentes, familiares, relacionamentos afetivos (lê-se “casais”); a liberdade de ir e vir (um presidiário ou um relacionamento que te aprisiona dentro dele), e tantos outros exemplos. Ou seja, só sentimos saudades do que se foi. Mas, por que não dar o devido valor quando o tem?

“Saudade” – Substantivo Feminino. Sentimento nostálgico provocado pela distância de (algo ou alguém), pela ausência de uma pessoa, coisa e local, ou ocasionado pela vontade de reviver experiências, situações ou momentos já passados. A palavra não é particularidade da língua portuguesa. Porque derivada do latim (“superindui cupientes”, ou desejando). Está mais próximo da nostalgia de casa, a vontade de voltar ao lar. Comunica com propriedade o tipo de sentimento que assaltava o coração dos israelitas exilados da época (Sl 137:1). A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações, que não a solidão sentida pela falta do lar, ou seja, a dor de uma ausência que temos prazer em sentir, ter, fazer, realizar, viver.

Bons momentos do passado, boas pessoas que passaram em nossa história (em todas as esferas), boas experiências vividas outrora NÃO PODEM (e não devem) se tornar muletas e/ou algemas às novas. A máxima diz: “Se foi bom, ótima lembrança; se ruim, serviu de experiência”. A sociedade diz: “Quem vive de passado é museu”. O Ap. Paulo diz: “esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão adiante de mim, apresso-me em direção ao alvo, a fim de ganhar o prêmio da convocação celestial de Deus em Cristo Jesus (Fp 3:13,14)”. Deus diz: “Não vos lembreis dos acontecimentos passados, nem considereis os fatos antigos. Eis que realizo uma nova obra, que já está para acontecer (Is 43:18,19)”.

Algumas saudades até são boas, mas, precisam ficar onde estão. Aquilo que não mais faz parte do presente deve-se, antes de qualquer coisa, analisar se foi propósito de Deus o afastamento (momentâneo ou permanente) ou um livramento Dele. Há pessoas que sentem saudades do que é (ou lhe foi) prejudicial. Não se pode (não é prudente) confundir uma saudável saudade, com carência ou costume. Muito menos tem o direito de impedir novos começos.
Saudade não se mata, se vive. Vive o seu tempo de existência, suas estações, seus momentos. Não viver dela e sim, com ela. Mas, a deixando no seu lugar. O presente, não a busca; o futuro, por ela não é comprometido e…o que passou, passou…

A ÚNICA saudade que vale à pena (TODOS OS DIAS) é quando de Deus que sentimos (Sl 42:4,5). E quando nem Dele lembramos, de todo o resto é melhor a amnésia!

seta

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