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FOLHAS SECAS

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Parada no trânsito de minha cidade, uns tempos atrás,  vi pela, janela do carro, duas árvores perdendo folhas para a brisa que passou de surpresa. Achei tão bonito aquele processo da natureza. E o mais encantador é que nenhuma das árvores se ajoelhou e se lamentou pelas folhas que caíram. Não choraram. Não espernearam. Não bateram suas raízes no chão, e gritando pediram ao universo que aquelas folhas retornassem aos seus lugares.  Muito pelo contrário, levaram com tranquilidade aquela fase da vida delas. As folhas foram levadas, e as árvores compreenderam o momento.

Se aquelas árvores pudessem falar, com certeza afirmariam que estavam perdendo folhas para no fim das contas, receberem outras. Mas como elas não falam, concluí isso por elas. E me dei conta de que com a vida, é mais ou menos assim que, também, acontece.

Manoel de Barros escreveu uma vez: “As folhas das árvores servem para nos ensinar a cair sem alardes.” E se eu pudesse acrescentar, diria que elas nos ensinam a aceitar que algumas pessoas saem das nossas vidas, de uma forma repentina, logo depois de uma brisa. Ou após um vendaval.

A vida é feita de idas e vindas. De nascimentos e de mortes. De início e de fim. Nada foge dessa regra. Há muito tempo, o rei Salomão já tinha avisado a humanidade sobre os ciclos, em Eclesiastes 3, do versículo 1 ao 8, ele diz:

 

“Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu:
tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou,
tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir,
tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar,
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter,
tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora,
tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar,
tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.”

 

A grande verdade é que por mais que saibamos disso tudo, nunca é fácil passar de um tempo para o outro. Há sempre algo que precisa ser trabalhado em nós. Quando se trata de pessoas e partidas, despedidas…nem sempre é tão simples quanto aparenta ser. Queremos que todos fiquem, forçamos nossos corações para caber mais um pouquinho ali e outro aqui. E é nesse momento que a vida trata de dar um jeito, e nos avisa – de uma forma silenciosa ou não – que nem todo mundo veio para permanecer.

No entanto, é preciso recordar das palavras de Salomão: “Para tudo há…um tempo.” Entenda: algumas pessoas passarão por sua vida apenas por um instante. É que no fim das contas, o objetivo nunca foi delas ficarem “para sempre”. O que você precisava aprender com elas já foi ensinado. E ainda existe muito para ser vivido e aprendido.

Talvez, o ruim disso tudo, seja lidar com o sentimento de vazio. Como quando as árvores passam pelo período do outono – as folhas caem. As pessoas se vão. E até que outras cheguem, folhas ou pessoas, demoram um tempo. Há uma estação de espera para o novo.  Tempo que é necessário para nos mostrar que precisamos nos preparar para o que vem em seguida.

Mas calma lá, as coisas acontecem devagar. Quando menos esperarmos, folhas novas e pessoas incríveis surgirão. E da mesma forma que as secas caíram, as outras vão aparecer…sem alarde e para mudar nossas vidas.

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