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O real valor da peça

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O tempo cronológico é impiedoso. Com pessoas, coisas, aparências, costumes, hábitos, gostos, etc., o que hoje é belo, novo, interessante, amanhã já não vale tanto assim. E quanto mais o tempo passa, menos tente a despertar o interesse da grande massa; sobretudo na velocidade tecnológica em que vivemos. Porém, podemos encontrar alguns remanescentes que amam o retrô, e este parece estar voltando à moda. Velhas vestimentas, velhos hábitos, velhos objetos, velho significados, velhos termos e por aí vai. Existem alguns especialistas em antiguidades que procuram por algo que não sofreu um processo de restauração, ou seja, que nunca foi “melhorado”. Quanto menos foi mexido, mais valioso.  Outros, como obras de arte antigas, por exemplo, se o tempo não as castigou, custam uma fortuna. Mas, ainda sim, o desejo deles pelo velho continua…e tem demanda pra isso. Entretanto, certas coisas precisam sim de restauração.

Significado: Ato ou efeito de restaurar; reparo, conserto de qualquer coisa desgastada pelo uso ou tempo. Recomposição de algo; restabelecimento.
Algumas restaurações custam caro, não é coisa simples. Mas, não somente (em alguns casos) um grande valor monetário é gasto ali; às vezes há de se gastar um grande tempo para restaurar. De certo que, de uma forma ou de outra, quem vai realizar o trabalho deve ter habilidosas e especialistas mãos para o serviço. Não é qualquer um que consegue isso.

Existem obras de restauração que é de algo quebrado, rachado, partido, de peça faltando; restauração de coisas que foram fragmentadas, que podem estar perto ou que podem ter sido perdidas. Existem restaurações que são como crostas que envolvem o objeto em questão. E essa crosta pode ter sido causada por alguma coisa que foi posta ali, pode ser caudada pelo tempo, pela erosão, pela corrosão do original ou pode ser causada por uma sujeira, uma poeira. Mas, toda restauração é feita porque o original perdeu a cor, a aparência, a forma, a essência, o objetivo. Para haver uma restauração, tem de haver, primeiramente, uma desconstrução do que se tornou.

Penso que nossa vida seja idêntica; uma inocência (não tendo nada tem haver com “ser babaca”) que ao longo do tempo foi perdida. As muitas experiências nos trouxeram marcas, traumas, cicatrizes; pessoas chegaram e partiram de repente, levando um pedaço de nós, nos transformando em cacos; outras deixaram erosões de negatividade, possessão, falta de amor próprio, poeiras de maus hábitos, sujeiras de imoralidades, trapos de imundícia; dependências emocionais que tiraram a cor do belo que cada um de nós originalmente somos. A corrosão em nosso coração começa a partir do momento em que acreditamos sermos independentes do Criador da obra prima. Em nossos relacionamentos, muitas vezes, deixamos ser moldados (ou seria desconstruído, apodrecido, deformado?) pelo outro – um usurpador (que pode vir de fora ou dentro de casa) –  e criamos uma crosta ao que vem do Moldador que tanto ama Sua obra.

Algumas obras acreditam não precisarem de restauração, apesar de sabermos não ser verdade. Outras sabem que precisam e correm atrás de Quem os fez. A primeira, continua a juntar os cacos dia após dia; dar uma pintadinha aqui e acolá, numa tentativa insana de melhorar a aparência, mesmo que essa rachadura um dia possa quebrar de vez e nunca voltará a ser bela, de verdade. E tem quem se aproveita desse momento de fragilidade na peça, usando-a ao seu bel prazer. A segunda, sabe que o tempo passou e que algo a deformou. Por sua culpa ou de outrem, foi perdendo seu valor de mercado.
Na verdade, ambas, de fato, são valiosíssimas. Só precisam descobrir sua real identidade (no Seu Criador) como itens raros que são.

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