Home Artigos Reais matizes

Reais matizes

2137
0

Esses dias me deparei com um vídeo de pessoas portadoras de daltonismo (caracterizando a incapacidade na distinção de algumas cores primárias), recebendo de presente, um óculos especial que as possibilitava enxergar as cores como elas verdadeiramente são. O momento exato em que elas põem frente aos seus olhos tal objeto, até então comum como outro qualquer, até elas perceberem que algo fantástico havia acontecido (e mudaria de vez sua percepção de mundo), é impossível não se emocionar com a cena.

Sendo o olho o órgão que capta as cores, passando a mensagem ao cérebro que a identifica e associa com estes conceitos apresentados, elas não conseguiam enxergam o que realmente viam. Pessoas que eram excluídas de fazer coisas mais complexas, como não poderem dirigir (uma vez que não distinguiriam os sinais de trânsito) ou quem toma uma bateria de remédios, poder separá-los pela cor; até as mais simples, como combinar uma peça de roupa pela cor, não poder ver o azul do céu no Outono ou o lindo brilho amarelo do Sol. Pois bem, imagino o turbilhão de possibilidades que passaram na cabeça dessas pessoas naquele instante.

Hoje percebo que alguns olhos não enxergam os reais matizes. Visões opacas de uma realidade apresentada. Preto e branco se misturam, tornando suas vidas num cinzento obscuro de medo, insatisfação, insubmissão, revolta, valores distorcidos, distanciamento dos que as amam, dor, muita dor. Não sabem como assim se pintaram. Não sabem como colorirem. Algo como correr desesperadamente numa esteira na certeza que nunca, jamais sairá do mesmo lugar. O tom não é suficiente, faltando luz. A intensidade que poderia fazer-lhes bilhar é insossa.

Após ver aquele vídeo, imediatamente minha mente me levou a um ateliê de pintura. Telas espalhadas por todos os lados, com artistas (novatos e experientes) debruçados em suas respectivas labutas. Uns ainda nos primeiros traços num esboço. Outros mais adiantados já colorindo. Uns com folhas amassadas ou rasgadas ao lado e reiniciando a obra. Outros na “arte final”, apenas as decorando. Uns tinham mais facilidades; de repente, o tempo e/ou a disposição (obediência) no aprendizado os tenha ajudado. Outros tinham mais dificuldades; de repente, suas escolhas os levaram a isso. Não receberam (ou não quiseram) a real instrução até então ou a apresentada anteriormente foi insuficiente, fazendo borrar toda uma tela e comprometendo a obra.

Um professor passava pelas telas verificando os rabiscos e as pinceladas. Dando conselhos, ajustando, encorajando, desqualificando e mandando começar novamente, opinando acerca da mistura correta das cores, estando presente. Percebi que o professor não pintava para eles (em ambos os casos); ele os direcionava para que suas escolhas fossem as mais acertadas. Também notei que o “tapinha no ombro” dos mais experientes, não os tornava arrogantes, metidos, desmerecedores dos mais novos; eles sabiam o caráter do professor e tal atitude com combinava ali. Vi que os que erravam e amassavam ou rasgavam seus quadros, não eram punidos pelo professor. Ele os advertia sim (às vezes severamente), mas, lhes dava todo apoio para RECOMEÇAR suas obras; agora, seguindo os passos do professor. Em suma, todos olhavam e ouviam o professor (Jo 5:19,20).

Tanto no caso dos novos óculos, como nas telas pintadas, a imagem JÁ ESTAVA ali. Esperava apenas ser percebida com a visão correta. As cores já eram vivas e palpáveis na paisagem. Já eram lindas e valiosas na tela AINDA em branco.
Ainda hoje a visão correta está ao alcance de TODOS. Ainda hoje a obra amassada e rasgada por decepções passadas (em quaisquer âmbitos) pode ser reiniciada.
Há sim um novo olhar sobre Aquele que fez toda obra; seja na paisagem real, seja na pintura da sua vida.
Apenas queira…

COMPARTILHE ESTE ARTIGO: