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Tempo perdido, vida e casas azuis

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A vida, meus caros amigos, é incrível…

Sentada esperando chegar a minha vez há mais de uma hora, fechei o livro que estava lendo (porque levo livros para todos os lugares: há sempre um livro na minha bolsa) e corri os olhos para o velho relógio pendurado na parede de madeira azul. Alguma coisa me prendeu naquela imagem. Ora, eu sei que isso não era possível, mas por um segundo pareceu que o ponteiro dos segundos percorria as marcações mais rápido do que o normal. Para a ciência, essa informação não faz sentido. O tempo não pode passar mais ou menos depressa. São nossas percepções que fazem essas afirmações (a discussão sobre isso nos tomaria horas e horas, mas vamos tentar manter o foco). Às vezes, sinto que, por miríades de razões, não percebemos o tempo. Mas, de maneira quase que mágica, naquele momento, percebi aquele minuto como nunca antes.

Por mais clichê que aquele pensamento fosse, dessa vez ele parecia especial. Todos nós sabemos que o tempo, para a ciência, simplesmente é. Ele não passou mais depressa naquele dia na casa azul. Ele passou, simplesmente. Aquele momento só me surpreendeu porque, por alguma razão, na minha percepção, o tempo passava mais devagar. É tudo uma questão de referencial. Como andamos muito ocupados, é fácil perder a sensibilidade. Mas a oportunidade do tempo é dada igualmente a todos os 7 bilhões de seres humanos espalhados pelo mundo. Não importa quem eles sejam ou que estejam fazendo da vida. Por isso, recuperar essa sensibilidade é uma questão urgente.

E eu fiquei parada olhando para o relógio velho pendurado na parede de madeira azul pensando em todo tempo perdido com tanta coisa. Pensei no que eu vinha fazendo do meu (que nem meu é). O que temos feito do tempo? Esse tempo que ora passa devagar, ora passa rápido, mas sempre passa? Temos vivido vidas que não são nossas? Temos tentado agradar os outros a maior parte do tempo? Temos buscado a aprovação de todos ao nosso redor? Temos tentado impressionar aos outros com conquistas que nem ao menos nos importam?

Eu pensava. E o tempo passava.

Diante da brevidade da vida, certas coisas perdem importância. Os nãos que podemos ouvir, as falhas que podemos cometer, a possibilidade de não dar certo. A vida é por si só um risco. Não sei porque Deus inventou o tempo, mas tenho um palpite que seja por causa do ser humano. Deus não precisa do tempo. Para ele, mil anos é como um dia e um dia é como mil anos (2 Pedro: 3.8). Ele é eterno. Esses conceitos não lhe são necessários. Mas a nós são. Seria cômodo demais se não fosse assim. Nossa humanidade, aqui, precisa do tempo, precisa ter consciência do quanto ele passa sem que tenhamos qualquer controle. E o momento — o mágico momento — em que percebemos de verdade o quanto o tempo é areia que passa por entre os dedos, passamos a viver, não apenas existir. Falamos o que sentimos sem medo da rejeição, dançamos mesmo que sem a menor coordenação, tentamos aquela carreira nova que tanto nos fascina, começamos a aprender aquele instrumento novo que sempre quisemos aprender mas que achamos que era tarde demais. Vivemos. Como ele sonhou quando nos soprou ZOE, o fôlego da vida.

Tudo isso pode lhe parecer tão bobo, mas, para mim, isso é muito poderoso. Honro a Deus quando valorizo minha vida e procuro vivê-la com sabedoria. É nessa jornada maravilhosa que O conheço. Quão incrível é descobrir os mistérios da mente de Deus nos detalhes da vida. Quão incrível é viver!

A vida, meus caros amigos, é incrível.

Vivamos. Intensamente.

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